terça-feira, 1 de março de 2016

Divido com você a alma quente
O corpo abrigo, calor que te anima
Te dou a terra, a água, o sol que brilha
Serei a sombra fresca, a dor ausente.
Eu fico a esperar, chegada viva
O choro, o despertar, sou alimento
Agradeço a um Deus bondoso, único
O amor, a dor, a felicidade. Sofia.

Parada

A mão ficou estendida no caminho
Procurando outra que ali estivesse
Que se pusesse ali, atenta ao passo
Que dividisse a dor, o amor, o frio.

Que só permanecesse sobre ela.

Ali parada, estendida no caminho,
Permaneceu na sombra da procura
E se pôs sozinha a dividir com o frio
A dor, o amor e tudo que não cura.

Fundo

A dor é sempre mais antiga do que o som
Que o breve sussurrar de borboletas lindas
Mais significante que o mais doce,raro dom
É latejante, é funda, é tão comprida.
Mas o que seria do amor sem o frio som
Do breve sussurrar de toda espera linda
De que aquele outro tenha o raro dom
De ler o que não diz a alma ferida?

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Traduzindo música de brega

Aprendendo dança nova em cabaré
Dando passos que se passam sem amor
Vai olhando para ver como é que é:
O que era laço se desfaz em vão torpor.

Não se queixe que as queixas são blasé
Que o que muda já não brilha como antes
São essas coisas, já mudadas de porquês
Que dão à vida o que a leva adiante.

Se prenda ao novo sem culpar o que é antigo
Se entenda diferenciado e especial
Se mostre ao velho como um excelente amigo
Se dê ao novo a esperar o que é fatal.  

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Mancha

E que se voltem os pés para a saída
Porque a luz do sol já se acaba
E assim, criando novas despedidas,
A prova de amor foi maculada.

Chama

Quando coloria tudo e cintilava leve
Quando a chama breve estava acesa
A vida dividida era mais do que sublime....
E que se incline o olhar sobre as certezas:
Que talvez nada resista a uma tristeza
Que pode ser que tudo seja um devaneio
Que quase é muito certo que aconteça
Que algum amor se acabe em desespero.

Nós

Dançar ciranda de rodar sozinho
Andar sem par aqui pelo caminho
Ver um monte de colos e ouvidos sós
Ser um bando de dores, bocados de nós.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Quando alguém que me deixará
E me fará morrer de dor
Numa noite de silêncio nu
Se levanta cego,

Eu não sei bem o que fará
E se ainda sentirá amor
Ou se será o céu azul
Que tanto espero

Depois de uma noite de silêncio nu.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Acabou

Aquela infância de fofocas bobas,
Brinquedos simples, cavalinho, peão,
Aqueles lanches com a tubaína,
Bolacha seca, ou suco com pão,

Aquilo tudo que tem cheiro doce,
Que risca paredes e ri muito alto
Que usava roupas coloridas fofas
E que desenhava com giz no asfalto,

Aquilo tudo se acabou depressa,
Foi se desbotando e foi dando lugar
A isso tudo de viver com pressa,
De pintar o rosto como quem cresceu
De vestir as roupas de quem já não sonha
De ficar parado como quem morreu.

Acho que ele é libanês

Um dia desses um homem barbudo e sério
Me disse "isso é muito bom, mas pare de rimar!"

Mas só que quando eu escrevo, é sem remédio
Canetas, lápis, tintas, teclas vão rimar.

Bilhete para Igor

Seremos juntos mais que um par
Muito mais que apenas dois.
Caminharemos por aí sem nem andar.

O resto vai ficando sempre pra depois,
O que nós temos se estende além do mar.

Novo Carnaval

Tantas cancelas se fecharam lentamente
Tantas varandas solitárias de calor
E quase todas permanecem na memória,
Tão frias formas, tão vazias e sem cor.

Os pés que deixam para trás o que se fecha
Procuram tão avidamente caminhar
Alcançam novos carnavais onipresentes,
Cheios de cores, curvas, luzes a piscar.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Xícara

Em minha xícara não cabe mais que um número
Um resultado dessa soma, eu e você.
Se em cada gole subtrais o que eu costuro
Já não me sobra muito mais o que querer.

Tudo que visto é pra beber a cor que acende,
Que vira chama ou neon, que faz ferver.
E em cada copo, uma seda que se rende
E em gemidos se desfaz, a se esconder.



Seguro

Minha porta entreaberta
É coisa certa
E a vista antiga é infinita
E verdadeira.
Não vejo tudo que me resta
Como festa
E queimo tudo que me sobra
Na fogueira.


Quando Sou

Tento dizer o que sempre sou
Quando sou porta encostada
Blusa de manga
Ou jambo que caiu do pé agora.
Tento dizer o que sempre sou
Quando sou xícara de café
Praia de dia
Ou muda de orquídea nova.
Tento dizer o que sempre sou
Quando sou sempre arredia
Música antiga
Que toca no rádio de uma velha.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Ei, Barney (que tá em Goiânia)

Ei, Menino Preto,
Como é que tá por aí,
Com esse samba onde é sertanejo?
Mande-me notícias
Pra ver se vai diminuir
Essa saudade... se em tudo te vejo?

Levou um pouquinho de dendê com você, Preto?
E sua risada, já marcou lugar?
Aí tem aquele samba lá do Rio Vermelho, Preto?
Tem gente boa de se namorar?

Ei, Menino Preto,
Sei que anda bem por aí,
Você transforma tudo em coisa boa.
Mande mais notícias
Fotos quando você sair
E me escreva se estiver à toa!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

De namorico

O samba sempre se chegou
Em alegrias
E de bocados em bocados
Fui feliz
Paixão foi sempre minha melhor
Fantasia
E eu vesti pra te beijar
Sabor cassis.
Vem de sorvete, de balinha,
De chocolates, musiquinhas,
Vem que me vejo colorida de neon...
E de mãos dadas na pracinha
As velhas olham: ladainha
Quero esse abraço com perfume de bombom... 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Borba

Quem diz ver flores quando passa
Nesses caminhos por aí
É que não vê, menino, as cores,
A graça de se distrair

No que você escreve,
Em como se declara,
Como vai colorindo
Cada página de sol.
É como se as palavras
Tivessem bem tempero
Tivessem bem o cheiro,
E essa cor de girassol...

Quando você me acha graça
No que eu escrevo por aí
Menino eu me sinto em cores,
Caminho pra me distrair
: D

domingo, 16 de março de 2014

Do meu lado

Sente aí do lado
Tenho segredos pra você ouvir.
Mergulho sozinho
E em mim não encontro saída,

Não me curo,
Não acho caminho
Fico aqui na minha rede de sonhar.
Mexo em coisas,
Futuco as feridas
E converso ao invés de arrumar.

Fonte Seca

Em cartas, poemas, canções
Palavras cessam de brotar
Por que se cansam...
Por que não podem mais falar,
Por que não cantam.
Por que mesmo que se sofra
Horrores
Mesmo de sorriso grande,
Largo
Mesmo de coração enlouquecido
De amor,
De desespero,
Felicidade insana,
Palavras, pontos, expressões
Já não conseguem explicar
Por que não amam...
Não sabem se apaixonar,
Não se derramam.