quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Lição

Todo princípio
Tem fim
Desde o início
É assim
E o mundo sempre gira

Resoluções
São concretas
Opiniões
São diversas
Tudo que passa é mentira

Então por que esperar
Caminhos vêm e vão
Se já não cabe brigar
Ganha-se uma lição.

Uma página

Já escureceu, menina,
Mas, por favor, não vá...
Não estrague minha cena
Antes d'eu me aproximar.
A vida é novela sem reprise
Filme sem continuação
Por isso, Baby, take it easy,
Deixa eu terminar a canção
Que eu chego em você
Bem devagar,
Que eu tiro você
Pra dançar...
Qualquer coisa que toque
Pra dançar abraçado
Um forró ou um rock
E um beijo molhado...
E aí você vai
E depois eu vou
So baby, goodbye,
Nosso capítulo terminou...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Foi tão... assim

Ando esperando e rezando
Querendo uns beijos seus
E ouço a chuva cantando
Uma mensagem de Deus

Que vem dizer que a gente
É coisa que fácil não acaba
É muito quente, febre doente
É doce beijo de namorada

Não queria apostar em nada
E te juro que nem notei...
E atravesso as madrugadas
Foi tão assim, me apaixonei...

domingo, 23 de novembro de 2008

Canção do fim

Minha pele já não responde
Não sei onde se esconde
O desejo de outrora
Minha cabeça anda longe
E eu nem sei aonde
Eu quero ir agora
Eu já não quero estar perto
E isso dói demais em mim
Meu coração anda quieto
E eu não escolhi ficar assim
Eu não preciso dizer
Que não foi por querer
Que eu disse aquelas coisas
Tão maiores que a boca
Não vou me arrepender
Fui feliz, pode saber
Não estou sendo afoita
É que já fiquei rouca...

Vira, vira

Vou engolir o caroço
Seu moço,
Ninguém
Vai saber que sou o cão
E que chupei a manga.
Querem meu pescoço
Seu moço,
E já tem
Tempo que estou no chão
Vendo sola de tamanca.
Agora que eu levantei
Bote fé
Q'eu tiro
Qualquer parede ou pedra
De meu caminho.
Tô de salto e já sei
Como é
Já me viro
Pra evitar nova queda
Vou sozinho.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

EU

Mulher Criatura,
Mandacaru do agreste,
Rapadura:
Doce,
Mas dura como a peste.
Rosa
Espinhenta,
Cheirosa...
Ninguém me aguenta,
Ninguém me leva,
Mas eu vou.
Mesmo que não deva,
Eu me dou.

domingo, 9 de novembro de 2008

Paixonite

Não falaram a você
Então eu vou te falar
Pois pra você perceber
Ainda vai demorar
Estou apaixonada
E não pude evitar
E não te peço nada
Só não vá me maltratar
Só me dê um beijo
Que esse meu desejo
Já tomou minha cabeça
Venha antes que a minha paixão
Desapareça
Tô falando sério
Não quero remédio
Você perto já me basta
Anda, pega logo a minha mão,
Me abraça...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Tu sais...

Tanto que eu te amei, menino
Te fiz minha estrada e meu céu
Mas, então, quando falhei, menino
Num instante enchi sua boca de fel
E não há dor maior do que essa
De querer ser mais e não poder
Não há reza e não há promessa
Que possa fazer você perceber
Que é melhor pra nós dois,
Sempre foi
Deixar tudo pra lá e seguir
Do que continuar se machucando
E chorando
E andando juntos sem sorrir...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Homem cortês

Ele não fala javanês
E nem sequer dança valsa
É só um homem cortês
Que honra as calças
Moreno bem apanhado
Penteado com brilhantina
Ele quer ser namorado
De uma bailarina

Passou a treinar balé
Para tentar ser visto
Mas veja só como é
O achavam esquisito
De tudo ele tentou
Até tocar piano
Mas não aguentou
E abandonou o plano...

Até que então alugou
Um ponto lá no centro
Pra vender laços de fita
E o seu negócio vingou
Só se vê lá dentro
Bailarinas bonitas...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Escolhas

A borboleta me disse
Como borboleta que é
Que da prancha eu caísse
E me deixasse na maré
Ela me disse também
Que eu mergulhasse
Já que não tenho asas
E que aquele que me quer bem
Mesmo que eu procurasse
Não encontraria num conto de fadas
Aí, então, mergulhei,
Já sei até onde posso ir
Sem me afogar
E tantas vezes voltei
E sempre volto aqui
Quando me falta o ar.

domingo, 12 de outubro de 2008

Xote pra Gérsica.

Te telefonei
Você não atendeu
Então perguntei
O que aconteceu
Você sumiu, me jogou no vento
Não me dá bola, não quer nem conversar
Agora ouça esse meu lamento
Pare com essa demora, vem me procurar
Menino deixe logo de tanta bobagem
Não se preocupe, não vou te prender
Se não voltar logo perde a vantagem
Eu não vou esperar muito tempo por você...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O Cravo e a Rosa

Finalmente o cravo e a rosa
Decidiram parar de brigar
A rosa deixou de ser tão orgulhosa
O cravo parou de tanto resmungar

Eles fizeram logo um combinado
Depois de muito tempo conversar
De amantes brigões viraram namorados
E andam pensando em se casar

O casal mudou a cantiga de roda
Que antes falava em sofrer e chorar
E andam dizendo que o que querem agora
É beijar, beijar, beijar, beijar...

Amarelo.

Não entendi direito
O porque do amarelo...
Mas, de qualquer jeito,
Em qualquer cor,
Sua casa é castelo
E no meu filme
Você é sempre herói
Se eu morrer de amor
Ou for pro inferno
Te ligo e você vem
Vestido de cowboy
E se passa o tempo
E se sopra o vento
Não se avexe
Daqui de dentro
Você não some
Pra dor, é ungüento,
Pro choro, alento...
Pro medo... homem.

Sem sono

Ah, Meu Pai,
Ele é um negócio
Ai, ai, ai, ai, ai...
Quando ele passa quase tenho um troço

Já não sei
O que vou fazer
Já me mediquei
Mas não há remédio que faça eu esquecer

Aquele cheiro
O jeito dele andar
A cor do cabelo
Aquele olhar
Aquela fala mansa
Estou sem sono,
Estou sem dono...
Me conceda uma dança.

Reinventei

Quer saber um segredo?
Chegue o ouvido pra cá...
E não me olhe com medo
Quando eu terminar de falar.
Ontem à noite eu descobri
Que ouço seus pensamentos...
E também posso sentir
Todos os seus sentimentos.
Passeei em sua cabeça,
Já sei tudo sobre você.
E antes que me esqueça
Não se irrite, foi sem querer
Eu encontrei um jeito
De te fazer me amar
Fiz você achar meus defeitos
Motivos pra me admirar
Reprogramei suas lembranças
Me fiz o seu maior desejo
Criei nossa primeira dança
Apaguei nosso único beijo...
Agora você não me escapa
Te inventei novamente
Agora sim isso não acaba
E você virou meu eterno presente...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Tardio.

Vou fingir que ainda é doce
E que meu anel não foi de vidro
E que as palavras que a raiva trouxe
Não fizeram nenhum sentido
O vento mudou e soprou outro som
E a música de antes, calou-se
E tudo aquilo que era bom
Como tudo que assim é, acabou-se.

sábado, 27 de setembro de 2008

""Paquera""

Eu vi
Pelo buraco em minha parede
Você em casa, deitado na rede
Lá do outro lado da rua
Senti
De repente um calor, uma sede
E vi um passarinho verde
E de repente ficou cheia a lua...
Vesti
Um vestidinho de flanela
E fiz aquela pose na janela
Pra você olhar pra mim
Sorri
Você se levantou e me viu
Fiquei feliz quando sorriu
E me deixou derretida assim...

Seu recado

Li seu recado, querida
Estava em cima da mesa
Se isso é uma despedida
Eu fui pego de surpresa
E quando eu percebi
Estava chorando sozinho
Pois, devo admitir,
Você era o meu caminho
Não sei porque
Tu me deixou, não entendi
Fiz teu querer
Te dei amor, te acolhi
Fui tão fiel
Fui tão sincero...
Mulher, como eu te amei!!
Eu fui teu céu
Te fiz castelos
Como uma deusa te tratei.
Você deixou
Meu peito marcado
Nem mesmo quis conversar
E só mandou
Esse recado
"Vou embora, já não dá."

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tu

Ah, como é inconstante...
Mas não é importante
Que escolha uma cor.
Seja louco mesmo
Bem colorido
Seja avoado, descabido
Seja meu divã ou dor...
Só não vá muito longe
Pois na saudade se esconde
A vontade de esquecer...
É como a madrugada
Que se mantém calada
E vem um sol qualquer
Pra fazê-la amanhecer...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Agonia

Ah...! Quando é que tu voltas?
Já não aguento esperar...
Briguei com todas as horas
E agora elas ficam a me pirraçar...

Música Ruim

Pare com esse ciúme...
Nem se acostume
A gostar de mim assim
Pare com esse jeito triste
Amor que só dói não existe
É plantar pitomba e colher alecrim
Veja, só penso em você
Querendo ou sem querer
É que nem música ruim
Veja, você não sai de minha mente
É que nem elo em corrente:
Não se sabe onde começa,
Não se sabe onde tem fim.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De nôte

Vem, noite, vem
E me traga alguém
Que me queira assim
E que sob a lua
Me diga sim
Vem, brilha e pincela
De prata a cama, o espelho, a janela
Seremos, então gatos pardos,
Miando loucuras no quarto....

Ela espera.

No que será que ela pensou
De manhã quando acordou
E não te viu na cama
Achou que você foi embora
Achou que você jogou fora
Alguém que só te ama...
Pensou que foi comprar café
Ou então encontrou Zé
E começou a conversar
Ou desceu pra tomar um chá
E emendou pra almoçar
Ou então Deus sabe lá
Sei lá, sei lá, sei lá
Mas disseram que ela espera
Olha o telefone e a janela
Ela só quer saber
Se você vai voltar
Então não se vá assim,
Compre rosas e jasmins
E entre pela porta
Que ela não se importa
E prometa amor eterno
E lhe aqueça no inverno
Mas não diga mentira
Não lhe desperte a ira
Pare de medo, seu moço,
Lhe dê um beijo no pescoço
Que ela fica mansa
E dança sua dança
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Uhum, uhum, uhum...

Tum..tum...

Veja só
Como ela perde a compostura
Quando ele pega em sua cintura,
Fica logo sem juízo
Sinta só
O perfume que vem dela
Ouça os sinos na capela
Quando ela dá um sorriso
Essa mulher
É uma figura
É uma loucura
Ela é uma canção qualquer
É um samba ou um arrasta pé
Ela se dobra
O ano inteiro
E em janeiro
Ela dança na areia da praia
Ela sai, ela cai na gandaia
Mas veja só
É ele chegar devagar
Tirar ela pra dançar
Que ela fica sem chão
Sinta só
Quando ele lhe abraça
Olhe como ela disfarça
Que não palpita o coração...

Nego,nego...

Não é por esse caminho,
Passarinho,
Que você vai achar pouso
No meu colo.
Se toda rosa tem espinho,
Neguinho,
Eu quero dengo de volta
Quando te consolo.
Voar por aí é um dom,
Muito bom,
Mas todo ninho vazio
Muda de dono.
Música não é nada sem som,
Sem tom,
O maior do mundo não é rei
Sem trono.
Então entenda, nego,
Não há segredo,
Foi um qualquer vento
Que te trouxe.
Mas esse doido apego,
Esse apreço,
Não é acaso, nego....
Antes fosse.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aprendi

O samba que você me fez
Eu acabei de ouvir
Menino, acho que dessa vez
Eu te compreendi
Você falou que não me quer de verdade
Que só jogou por jogar
Brincou com a minha felicidade
E agora vai me deixar
Mas eu sei
Que o seu peito aberto eu conquistei
Em sua memória eu me instalei
Estou certa
De que você vai me querer de novo
Aprendi
Que você gosta de liberdade
Vou deixar você sentir saudade
Desse jeito
Você vai vir e jogar o meu jogo...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

...Você...

Mesmo assim, tão desvairada
Sem raciocinar direito
Mesmo desorientada
Mesmo louca, reconheço:
É você quem me tira o sono
É por você que enlouqueço,
Por quem morro, me apaixono
É a doença da qual padeço
É meu vício, benefício
Meu remédio, meu veneno
Meu amor vitalício
Meu maior, meu tão pequeno
É o vento que me leva
É o calor que me incendeia
Me acalma, lua nova,
Me endoidece, lua cheia.

Deus,

Não sei seu endereço
Nem se você tem telefone
Não sei se me tem apreço
Se prefere apelido ou nome

Mas queria te pedir
Uma coisa bem comum:
Meu Deus, eu queria um colo,
Só um, Meu Deus, só um

É só pra de vez em quando
Eu poder chorar baixinho
E alguém enxugar meu pranto
E me fazer um carinho

Pra eu tirar um cochilo
Nesse colo protetor
Que deve ter um olhar tranqüilo
E um abraço acolhedor

Não estou pedindo algo
Que o Senhor não possa fazer
Também não é um descalabro
Querer alguém pra me acolher

Eu só peço que ele seja
O que você achar que mereço
Que me respeite e proteja
Se for assim, eu agradeço.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Venha.

Seja chuva prateada
Caindo em cada pétala de flor
Chegue com beijos roubados
E corpo molhado
Seja profundo torpor
E venha logo
Que tenho pressa
Fiz até promessa
Pra que não demore...
Venha enquanto ainda é tempo
Por que depois desse momento
Meu interesse morre...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

"*****"

Você tem alguma coisa que
Se eu pudesse explicar não seria
Nada de muito importante

Das palavras que eu já conheci
Nenhuma delas poderia
Descrever isso que lhe é tão constante

Tem a paz do amanhecer
O cheiro bom da maresia
E a luz da lua brilhante

Esse seu não-sei-o-quê
Que eu jamais explicaria
Se vai, e tudo vira noite
Quando chega, é de novo dia.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Um você

Eu quero um você pra mim
Como eu sempre imaginei
Tenha asas de um Querubim
E uma pesada coroa de Rei.

Me dê loucas madrugadas
E em seus braços me proteja
Que me chame "minha fada"
E em meu colo adormeça.

Que se eu cair me diga
Como é que se levanta
Que goste de música antiga
Que me conduza na dança.

Se eu achar esse você
E ele for como eu sonhei
Nem sei o que vou fazer...
Acho que enlouquecerei.

sábado, 23 de agosto de 2008

Namorada de Fininho.

É o mesmo que o sol da manhã não nascer
Se acaso no mundo existir um só ser
Que não queira na vida alguém como você
Como é que pode alguém não querer
Sentir seu calor quando anoitecer
Te ver despertar quando amanhecer
Quem são neste mundo não iria gostar
De ter o seu colo pra poder deitar
E esse seu cabelo poder afagar
Existe algum jeito de te ver passar
E ficar imune ao seu caminhar
Sentir seu perfume e não te procurar?
Tem de haver um jeito pra eu me curar
Da dor e alegria de te esperar
Da sensação doida, desse palpitar...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Nóis

Ocê percura n'eu
Coisa que já se acabô
Daquelas frô que ocê me deu
Num teve uma que num secô
Pra nóis as coisa num andaro
Do jeito que nóis pensô
Os presente que ocê me deu, se estragaro
Os biiete que te fiz, ocê amassô.

SSsssssiiiiiiiii...................

Há tempos as borboletas haviam deixado meu estômago.
Mas então você chegou e já era tarde.
Veio sem promessas e sem pedidos,
E com o cheiro de um imenso jardim
E trouxe dentro dos braços
Tantas borboletas quantas cabem numa primavera.

Eis- me

Aqui dentro andam todas as dúvidas
Sou um grande desequilíbrio, às vezes razão
Minha cabeça de pedra é dura
Às vezes músculo involuntário, outras, coração

Meus amores são intensos e profundos
Mas se nutrem de frágeis e belas paixões
Tenho vontades que não cabem num mundo
Sou solidão e silêncio, ou som de mil violões.

O que vai nos meus olhos não se advinha
Cada passo meu é um novo caminho
Deixo de andar sobre as pedras que já sei sozinha
Pra ver a nova trilha de belas flores, cheias de espinhos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Brenda

Não quero receber flores
Eu quero um jardim

Não quero anjos de porcelana
Quero mil querubins

Não quero caixa de chocolate
Quero a KFShweiz pra mim

Se não vai me dar,
Vá embora
Eu só aceito se for assim
Não vou esperar
Quero agora
Se não foi você, alguém traz pra mim.

domingo, 27 de julho de 2008

: (

Só queria que fosse mais fácil partir
E deixar que tudo acabasse
Podia até não saber onde ir
Mas deixaria que o vento soprasse...

Já me levantei, já tentei fugir
Mas temo estar no caminho errado
Assim, toda vez que vou me despedir
Eu acabo sempre caindo em seus braços

Você foi meu sol por mais de um verão
Era minha vela no escurecer
E eu fui sincera em cada canção
Mas já não quero compor pra você...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pra terminar ainda...

Não me ensinaram a remar
Meu barco navega ao sabor do mar
Só uso as velas se preciso chegar
Só paro no porto onde quero ancorar

Mas, se você chegar sereno
Com esse seu andar moreno
Me abraçar assim, ameno...
Te deixo embarcar, Pequeno

terça-feira, 15 de julho de 2008

Me ajude...

Como pode ser assim
Se é a sua voz que me embarga a alma
Se somente um gesto seu já me acalma
Como posso te querer longe de mim?
Se suas mãos conhecem todos meus mistérios
Se pra seus sussurros não tenho mais remédio
Como posso te querer longe de mim?
Se é por ver o seu sorriso que anseio
Se só consigo adormecer em teu seio
Como posso te querer longe de mim?
Se não faço idéia de onde foi que erramos
Se não sei por qual erro é que pagamos
Como posso te querer longe de mim?

Atendendo ao teu pedido.

Deixo...
Que escrevas meu enredo,
Que enchas de segredos minha história
Que me deixes leve, louca, sem memória...
E mesmo sem um pingo de sentido
Viro personagem em tua narrativa
Uso todos os meus lápis coloridos
E dou uma nova cor à tua vida...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Menino

Não me pergunte, menino
O que é que eu fiz de mim
Já lhe falei que o destino
É assim, é assim
Quando você se achegou
Tudo era de uma beleza...
A vida nos apartou
E a tristeza, a tristeza...
Se aboletou
Dentro do meu peito
Me senti tão só
'Cê não me explicou
O que aconteceu direito
Tô de fazer dó...
A sua voz 'inda ecoa
Dentro de minha cabeça
E a saudade não deixa
Que eu lhe esqueça.

Um, dois...

Era tanto assim
Assim, tão perfeito
Sabia um amor...
Já não sei direito
Eu não o inventei
Inventei o não ver
Que acabaria
Sem eu perceber
O amor não se foi
Se foi de verdade
O vento mudou
Já não sopra saudades
Era só um
Um que já são dois
Colorido no início
Preto e branco depois...

Sei lá, sambinha?

Que ingrata mentirosa
Essa tinta se torna
Quando tenta
Descrever o corpo teu
As palavras
Quando escritas num papel, Dona,
Apagam a luz que a tua nudez acendeu
Em suas curvas passeio
Meus olhos que já não são mais meus
E nesse meu devaneio
Vou cheio de dedos tocar um mundo seu

Musicando essa

Sozinho
Conto segredos ao vento
Hoje sou estrela só
Mas já fui seu universo inteiro...
Continuo
Tateando no escuro
Já não tenho sua mão
Novamente vou andar sozinho
Nossos caminhos já não são mais um
E eu não vou me prender a sonho algum
Se tem que ser assim, aperte minha mão
Já tenho de volta o meu coração
Não vamos mais nos machucar
A vida vai nos curar
Se já não dá, vamos embora
Nós já tivemos nossa história
Depois de um tempo você vai ver
Vamos conseguir esquecer
Se chegou ao fim
Foi por que tudo mudou
Fomos um sonho bom
Que acabou...

sábado, 12 de julho de 2008

Saiba, meu bem

Saiba, meu bem, que seu cheiro
Ainda não saiu da ponta dos meus dedos
Ainda sinto os fios dos seus cabelos
Correndo em minhas mãos...
Saiba, meu bem, não te esqueço
Ainda vejo o seu sorriso puro
Ainda ouço aqueles seus sussurros
Por isso fiz essa canção...
Saiba que eu quero tudo de novo
Que não me canso de cair no seu jogo
Que a sua dança é um caminho sem volta
E que eu queria era bater na sua porta
Saiba que eu volto no tempo, meu bem
Toda vez que esse seu perfume vem
Toda vez que esse seu perfume vem...

Do vento e do mar

Era de tarde e o meu vento
Durante um breve momento
Soprou no seu mar...
E eu que voava e dançava
Caí como fada sem asa...
Lá ia eu, me afogar...
Agora que já me afoguei,
Já fiz de você o meu rei,
Queria muito me salvar...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ó,

Pare de porquês
Veja bem você
Tudo vai além
Do que cabe no entender.
Não problematize
E nem vulgarize
Nada é tão sucinto
Quanto possa parecer.
Então, deixe estar
Pare de achar
O que existe aqui
Vai pra lá do pensar.

...

É uma impiedosa
Essa dor horrorosa
Que às vezes, à noite,
Vem me assombrar.
Ela chega ardilosa
E se faz gloriosa
E com seu açoite
Vem meu peito cortar.
Um buraco sem fundo
Que engole o meu mundo
Ocupando os espaços
Sem se intimidar.
Coração vagabundo
Não espera um segundo
E à saudade e seus laços
Vai se entregar.

Euzinha.

Só porque eu não sei
Não vá pensar que não dei atenção
Só porque já pequei
Não quer dizer que sou sempre o vilão
É que sou de matéria que você não conhece
E quando pensa que me sabe, esquece.
Se não tem peito nem garra,
Sem marra,
Na boa,
Me esquece.

domingo, 1 de junho de 2008

Em construção.

Tem determinadas coisas que, embora nós pensemos que podemos controlar, não podemos. Achamos que está tudo bem, dentro de controle e que a solução é óbvia. Mas não é. As situações surgem sem que esperemos ou peçamos por elas; vai-se embora a razão, os planos se diluem e ficamos no meio de um caminho estranho que não é o mesmo no qual começamos a andar.
Aí, aquela dúvida que persegue a todos se aproxima, como quem nada quer: o que é que eu faço agora?? Não sei. E acho que não saberei tão cedo. É provável que isso tudo seja medo de não conseguir fazer exatamente aquilo que planejei. Ou então, medo da decepção que os relacionamentos, sejam eles de que tipo forem, trazem para nós ao longo da vida. Não lamento decisões já tomadas, não lamento as coisas que já fiz. Lamento mesmo é a incerteza do que farei.
Acho que algumas coisas que acontecem ou podem vir a acontecer, não as mereço. Mas tenho uma certeza sobre elas: me ensinaram muito mais do que as coisas que mereci. Juntei todos os obstáculos e provações_ e continuo juntando_ e estou construindo uma belíssima estrada por onde caminho agora. Mas esse NÃO SEI vem logo atrás de mim, me cutucando como aquelas tias no ponto de ônibus atrás de alguém que converse sobre o tamanho da fila.

Casamento.

Não sei se quero casar. Antes, tinha toda certeza do mundo e sonhava com vestidos brancos, igrejas decoradas, uma casa linda, filhos amorosos, um marido inteligente, engraçado, charmoso e fiel. Mas a vida não é bem assim.
Das minhas amigas casadas, só tenho notícias rotineiras: filhos, discussões com cunhados e sogras, falta de disposição pra sexo, uma viagem para o interior, e blá, blá, blá... Das mulheres de minha família, ouço sempre que casamento é sério, casamento é complicado, casamento às vezes é bom, casamento é ceder, homens nunca ficam maduros, mulheres nunca estão satisfeitas, a rotina destrói o amor, a falta de dinheiro destrói o amor, as pessoas são muito complexas, e etc...em suma, nunca consegui concluir absolutamente nada sobre casamentos.
Na televisão, tudo é lindo. "Meu amor" pra lá, "Meu bem" pra cá... e você acaba se apaixonando por aquela cena de comercial de margarina Delícia. Então, iludidos pelas malvadas margarinas e novelas das 7h, achando que as pessoas mais experientes são muito mal amadas, mal comidas e que todos os seus argumentos são baseados em frustrações pessoais, nos engajamos em encontrar um par perfeito para o casamento tão sonhado.
Ficar é sempre conveniente. Sem exigências demais, preocupações, brigas e muitas outras coisas, mas, com tempo, a ausência de telefonemas pra saber "como está" ou dizer "estou com saudades" nos faz sentir falta de alguém que cuide de nós. Aí vem aquela sensação de querer ter alguém, como se o outro pudesse ser uma "propriedade". Logo depois, nos damos conta de que a música está certa e que "é impossível ser feliz sozinho". Isso é o que nos leva a namorar. O namoro é sempre bom, companhia, telefonemas, abraços carinhosos, beijos desesperados e cheios de saudades de uma semana inteira sem se ver... O tempo passa e achamos que uma semana é muito tempo pra ficar sem se ver. Começamos a querer mais tempo juntos. As visitas se tornam frequentes, as saídas, decisões em comum, ciúmes e discussões também... achamos que a ausência que nos faz sentir tanta falta assim aumenta por que o amor é muito grande pra suportar a saudade. Então, achando que só se casa quem se ama, nos casamos, em nome do amor.
Segundo alguém, não me lembro quem, as pessoas se casam porque os seres humanos são os animais que mais demoram pra completar sua formação cerebral, por isso os filhotes precisam ser cuidados e uma mãe sozinha não teria condição de fazê-lo. Então, foi criada a monogamia e o casamento, um homem se une a uma mulher porque ficar com uma pessoa dentro da barriga durante 18 anos seria impossível e suportá-la fora dela sem ajuda é ainda pior.
Depois que se casam, algumas pessoas engordam, outras emagrecem, outras ficam chatas, outras se isolam dos amigos, outras se tornam indiferentes ao parceiro, outras se tornam infelizes e algumas poucas se sentem completas. Queria saber como fazer pra se sentir completo ao lado de alguém. Acho que, para que isso aconteça, teríamos que nascer incompletos e passar boa parte da vida procurando a outra metade. Muito estranho isso.
Não posso falar muito sobre casamentos. Dos casamentos que conheço, os testemunhos são os mais variados: estabilidade emocional, a aventura de ter filhos, ter alguém com quem dividir os problemas, uma companhia para todos os momentos, fechar os olhos para a traição por medo de ficar sozinho, não separar pra não enfrentar o mundo e segue assim. Mas é raro ouvir que a felicidade acompanha o par do iníco ao fim, entrecortada com poucos momentos de tristeza e decepção...
Tudo que sei é que o que eu planejei pra mim não se encaixa em nehum dos scripts que conheço. Não quero casar pela estabilidade emocional, pela aventura de ter filhos nem pra dividir todas as coisas com alguém. Quero casar pela aventura de descobrir se existe mesmo esse amor que atravessa o tempo, as gravidez, a menopausa, a andropausa, a pele envelhecida e a impotência sexual. Não quero casar por ter que perpetuar minha espécie, nem porque a sociedade me cobra uma união estável. Eu quero a instabilidade do mal humor que explode por causa de um atraso na chegada do trabalho, por causa da sensação de satisfação que o conhecer o corpo do outro proporciona e porque a vida passa e precisamos deixar aqui coisas pra que se lembrem de nós.
Quero que se lembrem que fui uma professora maravilhosa, uma namorada ótima, uma amiga fidelíssima, uma esposa divina, uma mãe dedicada. Então, enquanto não me provarem da existência desse amor que atavessa tudo, não saberei se quero casar.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Meu almoço

Minha mãe prometeu doce
Pra eu comer depois do almoço...
Queria que o almoço fosse
Um escondidinho bem gostoso

Mas ela veio com essa história
De alimentação saudável
Se não me falha a memória
Era assim a mesa impecável:

Arroz integral cozidinho
Salada de legumes picotados
Couve cortado bem fininho
Por cima do frango grelhado

"Não pode beber nada!
Só depois de duas horas!"
Minha vó, pobre coitada
Disse logo, "Nossa Senhora..."

Perguntei da sobremesa
Ela disse que eu ia adorar..
Imaginei iogurte de framboesa,
Chocolate, pudim ou manjar.

Passei pelo sacrifício
De raspar meu prato todo
Sem saber que o mais difícil
Viria depois do almoço

Barrinhas de cereal....
"Diet, pra não engordar!
Não comprei nenhuma igual
Pra você experimentar."

Quase que eu chorava
Mas o que podia fazer
Ela disse que me amava
E que eu precisava aprender a comer!








Lembranças

Quando eu estudei no CSJ, as panelinhas eram muito fechadas_hermeticamente fechadas. Sempre me senti muito só lá dentro e só conseguia me enturmar com pouquíssimas pessoas. Enfim, não passei ilesa pelo colégio. Sofri com as sacanagens e perseguições, sofri com as pirraças, apelidos idiotas e outras coisas mais... Mas sobrevivi. Não tenho muitos colegas aos quais devo gratidão; da maioria deles eu queria mesmo era distância. Talvez por isso fiquei meio indecisa, envergonhada e receosa de participar da tal comunidade da panelinha do colégio: "Resenhator".
No dia em que cliquei sobre o botão "deseja participar desta comunidade?", mil coisas vieram à minha mente. Reviver algumas situações desagradáveis pelas quais passei quando no colégio não estava nos meus planos, por isso, depois que saí de lá, me afastei completamente de todos. Quando ia visitar a escola, era mesmo saudade o que eu sentia, mas não dos colegas, a não ser, como já disse, de alguns poucos. A saudade era da irmã da enfermaria, com quem muitas vezes perdi o recreio conversando, de tia Nildinha, que colocava gelo nos ferimentos, de Fátima e Lúcia da portaria, de Pascoal, de Lucinha, de Darli, que tantas vezes me consolou quando eu ficava sozinha, dos meus queridos professores (nem todos), de Regina, a melhor coordenadora que eu conheci...enfim. Eu tinha saudade do espaço físico da escola e dos funcionários.
É maravilhoso quando encontro algumas pessoas com quem estudei e fico sabendo como vão, o que andam fazendo... mas existem outras com as quais, se eu tivesse escolha, nunca encontraria novamente. Uma menina que tinha uma inimizade gratuita por mim, uns meninos que transformaram minha 8ª série num grande pesadelo, alguns outros que me faziam de brinquedo durante o primário, me empurrando, me prendendo na sala, me colocando apelidos esquisitos, outros que sempre fizeram questão absoluta de ser indelicados e inconvenientes sem motivo aparente...
Até onde sei, que é o que minha mãe, minha família e meus amigos me dizem, não sou feia. Sempre fui baixinha, já fui magrela e parecia mesmo um microfone, como um menino de quem eu incrivelmente gostava e achava engraçado me apelidou. Nunca fui desconcentrada, ignorante ou seja lá qual for o termo para o que eu sempre ouvi falarem "burra". Muitas vezes eu chorei e não quis ir pra escola, pois não entendia a razão pra pegarem tanto no meu pé. Como se não bastassem meus colegas, as professoras às vezes não iam com minha cara de jeito nenhum, só Deus sabe o porquê.
Tive uma chamada Conceição, no primário, que dizia que minha letra era um garrancho só por que era grande. Teve Jane, a bruxa substituta de Conceição, maluca, queria que eu deixasse de escrever com a mão esquerda e passasse a escrever com a mão direita.Teve outra que defendia uma menina na sala e achava que todos os outros eram burros. E por fim, uma criatura que odiava o mundo todo, inclusive eu.
Gostava de alguns colegas. Talita, Vanessa e Inaira na 1ª série, na 3ª série gostava de Maria Vitória (muito engraçada), Valter J. de Sá Neto, Tatiane Leite, na 4ª Danuza e Geruza, na 5ª Larissa, Bárbara, FAbrício, Fernanda, Lorena, Natália e Mateus, na 6ª era fã de Marcela e Carol, na 7ª achava Clarinha, Vanessa e Rafael legais, mas minha turma ainda era Fabrício e cia e na 8ª continuei com a mesma turma, que aos poucos foi se desfazendo pois se apaixonaram, não deram certo, trocaram de namorados e eu, mais uma vez, fiquei só. Não me importei muito, pois já estava acostumada a ficar sozinha. Se não fossem Alexandre e Lucas, me sairia muito bem na 8ª. Mas eles não estavam com muita vontade de facilitar minha vida. Então, de safanões em safanões, de pirraças em pirraças, acabei a 8ª e mudei de escola.
Ficava sempre olhando as panelinhas, achando legal como eles se divertiam e se davam bem, mas nunca tive coragem pra me aproximar. Admirei algumas pessoas, mas não passou disso. Minha saída da escola, ainda bem_ou não?_ não foi percebida. Fui feliz na escola nova, pois ninguém na minha turma gostava de estudar e pescavam de mim até não poder mais. Era bem tratada.
2º ano, escola pública. Além de não gostar de estudar, não gostavam de quem queria estudar. O pior é que eles acreditavam que eram geniais. Sempre fui tímida, fiquei mais ainda, mas encontrei pessoas que me fizeram muito bem. Juli, Elzilane, Elaine, Landico e Andréia. Foi bom, mas tive meus péssimos e memoráveis momentos. Como, por exemplo, quando um menino de quem eu gostava ficou com uma menina horrível só pra eu parar de paquerar ele. Ou quando todos fizeram questão de faltar ao meu aniversário.
Mas tive alguma sorte. Quando entrei no cursinho, encontrei dois amigos pra vida inteira: Paulo Vinícius e Adson Piño. Adoro eles até hoje e até hoje nos falamos quando temos tempo. Conheci ainda Gil, Carla, Maicon e Rose, que não têm defeitos e a quem serei sempre devota e grata. Sempre falo com eles, pois bons amigos são como bilhetes de loteria premiados. Graças a Deus, tenho momentos maravilhosos dos quais eles fizeram parte e os quais guardarei e contarei por toda a vida.
Mas, o assunto é o tal do "Resenhator". depois de enumerar lembranças várias, cliquei no tal botão. Ainda tinha que passar pelo processo de aceitação do dono da comunidade. No colégio, ele era super legal. Pelo que vi, ainda é. Pois bem, ele me permitiu entrar, me colocou como moderadora, só Deus sabe o porquê_ mas pouco tempo depois fui destituída da função, só Deus sabe também o porquê_ e o pessoal logo me fez sabatina. Respondida a sabatina, li alguns tópicos e percebi que se demorasse demais sem comentar, seria expulsa.
Surgiu, então, um evento para o qual todos estávamos convidados. Seria a despedida de uma menina com a qual estudei e que, junto com uma amiga durante o tempo de escola, me prendia na gruta sob a ameaça de que, se eu saísse de lá, teria de beijar um tal de Victor Pia. Bom, não me lembro se ele era bonitinho, mas lembro que não queria beijar ninguém e ficava triste presa na gruta...Mas acho que isso não me traumatizou. Mas se daqui a algum tempo você ouvir dizer que eu matei alguém e escondi o corpo numa gruta, já sabe o porquê. Fui à festa com um menino que estudou comigo que eu sempre achei que seria padre. Mas de padre ele já não tem nada.
Fui bem recebida, sabe? Graças a Deus, lá não tinha gruta, ninguém escondeu minha bolsa, não me colocaram apelidos esquisitos, não me bateram...é, foi legal. A verdade mesmo é que cheguei meio tensa, não sabia como me enturmar pois eles são muito unidos até hoje. Mas percebi uma coisa muito boa: todos nós crescemos, amadurecemos e mudamos. As pessoas não muito agradáveis já não estavam entre eles, todos ainda se tratam com a mesma cumplicidade dos tempos de CSJ e aquilo já não é uma panelinha: é uma família.
Adorei ter reencontrado meus antigos colegas, ver como eles mudaram, que eles se tornaram pessoas ótimas... enfim, tudo isso.

domingo, 11 de maio de 2008

Como domesticar sua mãe.

Eu tenho 11 anos. Minha mãe tem 37. Mas, como todos nós já sabemos, a vida é assim, quem assume bons cargos, quem sobe na vida, quem manda mais é quem tem competência para isso e não quem tem idade ou experiência.
Às vezes fico muito revoltado pois eu vejo meus colegas e meus primos sendo controlados pelas mães, que muitas vezes nem sabem o que estão fazendo, acham que agir assim é melhor para o filho, para que ele estude, se dedique, seja uma pessoa íntegra, boa e assim por diante. Isso não é verdade. Eu, por exemplo, não sou o "controladinho da mamãe", mas me saio muito bem na escola. Eu não tiro 8, 9, 10, essas coisas, até por que, para que isso acontecesse, eu teria que perder duas preciosas horas do meu dia estudando e não teria tempo pra gravar novas músicas no meu MP3. Então, não tiro estas notas, mas eu tiro 7, tiro 6 e, às vezes, quando eu tenho muitas coisas pra fazer, como jogar em rede, andar de bicicleta, baixar músicas na internet, merendar, enfim coisas muito mais importantes do que estudar, minha nota vem 5,5, 4 e por aí vai.
Você deve estar se perguntando: Noooossa! Como você faz pra dar certo?? É fácil, muito fácil. Primeiro, você deve conhecê-las e saber lidar com elas. Basicamente, existem três tipos de mães: As sentimentais, que são doces e fáceis de domesticar, as duronas, que só se pode domesticar quando se é mais firme do que elas, e as inconstantes, que alternam entre doçura e dureza. As demais são derivadas desses tipos básicos, então, sua postura deve derivar das posturas abaixo conforme o comportamento da sua mãezinha.
Segundo, você deve sempre desenvolver o dom de chorar e mentir descaradamente, de preferência simultaneamente, mas, se não conseguir, faça um de cada vez. Quando sua mãe disser pra você estudar, pra você ser mais aplicado, pra respeitar as pessoas, enfim, aquelas idiotices que elas sempre repetem, você chora, diz que não consegue, que é burro, que não presta, faz aquela cara de sofrimento e dor que ela cai direitinho. Bom, pelo menos a maioria cai. Se a sua mãe é do tipo durona, você abraça ela sem choro, se compromete a mudar e, durante os três primeiros dias você age como se realmente tivesse mudado. Ela vai notar sua mudança e vai comentar com todos que você mudou. Embora quase ninguém vá acreditar nela, o que importa é que você fez seu trabalho e a convenceu de que você obedeceu. Se sua mãe muda muito de comportamento, você pode juntar as duas táticas.
Ainda tem aquelas mães mais submissas, essas são muito boas para domesticar. Basta gritar com elas. O máximo que elas vão dizer é "É assim que você fala com a sua mãe, menino?", aí, você dá um palavrão leve ou moderado, diz que ela não te ouve, não te entende, algo assim, depois argumenta que todo mundo faz o que você quer fazer ou tem o que você quer ter, menos você. Ela, automaticamente, obedece.
A terceira dica é ser firme. Se você se definir por não estudar, não ser obediente, não tomar banho na hora em que ela manda, enfim, não fazer seja lá o que for, não faça de jeito nenhum. É isso que garante que ela vai perceber que quem manda é você. Mantenha sua postura, seja decidido. Enrole, bata boca com ela, discuta, chore mas não faça o que tem que fazer. Depois, quando ela já tiver desistido, quando você estiver com vontade de fazer, vá e faça bem rápido, mal feito, mas não deixe ela ver. Se ela for do tipo que te cobra as coisas depois que já até perdeu a graça, você diz com aquela cara bem tranqüila: "Já fiz." Ela vai pensar que você fez por que ela mandou, mas isso não tira sua autoridade, pois é comprovado que quando seus subordinados se sentem valorizados, eles produzem mais e com mais qualidade, ou seja ela vai ganhar confiança, vai achar que você obedece e as discussões e ordens diminuirão em número e em duração. As mais dóceis ficam felizes em ter um filho que as ouve e é amoroso, as mais duronas se contentam em saber que seus filhos são obedientes e as que mudam muito de comportamento se sentem realizadas com um filho amoroso, bom ouvinte e obediente. A firmeza tem de ser adotada, não importando o comportamento da sua mãe. Você tem apenas que ter cuidado na forma de mostrá-la.
A quarta dica é ser cínico. Isso é um segredo de mestre. É como atuar. Se sua mãe se comove quando você se faz de vítima, seja sempre a vítima. Sofra, se mostre fraco e impotente, isso sempre dá certo. Se sua mãe só se abala quando você se compromete, comprometa-se, seja sério, firme e olhe nos olhos. Se ela só entende com gritos e palavrões, grite e xingue, mas lembre-se que palavrões dirigidos diretamente a ela têm de ser leves a moderados, como "porcaria", "banana", "merda", até um "porra" de leve é bom, mas não vá além. Quando você não estiver falando diretamente com ela, mas o que você estiver dizendo for para ela ouvir, aí você pode dar uns palavrões mais pesados. A depender da evolução delas, em breve você poderá falar os palavrões pesados diretamente a elas e também poderá colocá-las de castigo. O segredo é equilibrar e se manter no seu papel até a situação se definir.
Bom, basicamente é isso. Siga essa cartilha conforme lhe convier e sua mãe apresentará ótimos resultados. Até a próxima.

sábado, 19 de abril de 2008

Parte 2

"Não importa quem eu sou." Ele disse levantando rápido do sofá. "Eu vou embora agora e você esquece que eu estive aqui." Ela se deitou na cama e ele foi vestir uma roupa. Na sala, percebeu que tinha alguém na janela. Lentamente, foi se aproximando, levantou um pouco a cortina e deu de cara com um homem armado. Um tiro foi disparado. Anita levantou, foi pra sala e viu ele caído no chão, próximo à janela. Pensou que ele estava morto, mas então, ele se virou e sussurou: "Sai daqui!" Ela saiu correndo pro quarto e ficou olhando da porta. Ele levantou rápido, o homem estava tentando pular a janela. Desferiu então, uma cotovelada na cabeça do homem, que ficou tonto e foi puxado pra dentro da casa pela janela, levou vários murros e chutes até não conseguir mais se mecher. "Pàra, pàra!! Pelo amor de Deus, véi, eu só estou trabalhando, peraí, peraí!!!" Pedro parou. Deu um passo pra trás. " Você está preso, seu desgraçado, tá ouvindo, você está preso!! Você vai comigo pra delegacia, vai depor contra o seu chefe filho da puta por que, se não for assim, eu te mato agora e alego legítima defesa. Quer morrer??", perguntou Pedro, ao que o homem respondeu, "Não, não, pelo amor de Deus, não me mata, não. Eu vou, eu vou pra delegacia." Pedro levantou o homem pela blusa e chamou Anita. " Tem arame, corda, alguma coisa de amarrar aí??" "Tem corda de varal. Serve?" "Vai logo pegar, anda, anda!!" Olhou pro homem, deu um soco na cara dele e falou: "você agora vai ligar pra aquele sacana do seu chefe e vai dizer a ele que me matou. E vai dizer que não precisa mandar ninguém pra cá, entendeu? Diga que vai cuidar de tudo. Olhe bem," ele disse, apertando o queixo do homem, "se algum colega seu aparecer, eu te mato e mato ele, você ouviu??" Bateu no rosto do homem novamente. "Ouvi, chefia, ouvi!" A essa altura, Anita voltava da cozinha com uma corda de varal. Deu a ele e perguntou " você vai fazer o que com ele??" "vou levar pra delegacia. Você fica aí e se esconde." "Não! Se eu ficar, Barriga me mata! Eu vou pra delegacia, eu vou pra onde você for." "Eu não vou ser responsável por você!" Ele disse quase gritando. "Vai, sim! Era pra você estar morto se não fosse eu que te socorresse. Você vai me proteger, eu nã vou morrer, não vou mesmo, ouviu??" "Tá! vai logo, se veste!! Pede um táxi, rápido!". Anita saiu correndo, ligou pra LIGUETÁXI, pediu um táxi na Avenida Beira Mar e foi se vestir. Assim que o táxi chegou, entraram os três e foram pra delegacia. No carro, ninguém falou nada. O taxista rompeu o silêncio ligando o som. Passou um anúncio e a voz do locutor entrou no ar. "Boa noite pra você, ouvinte, que está agora ligado em nossa programação. Ficaremos juntos até às três da noite ouvindo a Madrugada de Sons. Pra vocês, na nossa rádio, Vanessa da Mata e Ben Harper, Boa sorte. Essa é a rádio Soteropolitana, pra você. A música começou.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Ai...

Meu rapaz,
Não passe os braços ao meu redor
Não se encoste em meu corpo, não
Que é uma tortura ouvir sua voz
E o seu perfume me deixa sem chão...
Meu rapaz,
Não fale essas coisas tão boas de ouvir
Pare de me olhar como quem me quer
Se seguir assim, não vou mais fugir
Vou deixar que seja o que Deus quiser...

terça-feira, 15 de abril de 2008

e-mail

Eu recebo, às vezes, emails indesejados, como o do NENU, Encontro de estudantes negras e negros da Ufba. Isso é muito chato... Até por que é ser muito ignorante admitir que existam grupos de segregação racial dentro de um país tão misturado... Eis aí, a resposta que enviei para eles.

"Gostaria, por favor, de não receber mais emails deste remetente. Tenho
muitos motivos e, entre eles está o fato de não ser cega. Quando ando
pelas ruas, pela UFBa, ou mesmo quando olho no espelho, não vejo
negros, vejo brasileiros, que sofrem com o preconceito, que vocês, do
nenu, que a classe rica da sociedade e outras instituições, entidades
e tudo mais insistem em perpetuar. Quando vou à periferia, seja para
dar aulas ou visitar familiares e amigos, não vejo quilombolas, vejo
cidadãos, que são submetidos à uma segregação racial absurda e
ridícula, pois não deveríamos lutar pelos pretos, e sim pelos pobres,
pelas crianças de rua, PELAS PESSOAS QUE SOFREM, pois não é o negro
que sofre, somos nós, brasileiros, que pagamos pelo preconceito que
veio da Europa ignóbil e aqui recebeu um novo rosto. Acordem, meus
queridos colegas de faculdade. As cotas deveriam ser para pessoas de
baixa renda, pois ser negro não quer dizer ser burro, ser índio não
quer dizer ser incapaz. Não deveria existir NENU, assim como não
deveria existir Ku klus klan (ou seja lá qual for a forma de escrever
isto), nem skin heads, nem nenhum outro grupo que defende sua etnia em
detrimento da outra, ou isola sua etnia, olhando para ela como frágil,
desprotegida ou injustiçada. Somos brasileiros, somos cidadãos,
pagadores de caros impostos, somos pessoas. Eu tenho em minhas veias
sangue português, sangue espanhol e sangue negro. Não sei se posso
dizer que tenho hoje, em minha família, alguém com o sangue puramente
negro, ou branco, ou índio. Sei que existem, em algum lugar, pessoas
negras, brancas, indígenas, amarelas ou de qualquer cor que podem não
ter sofrido influência genética de outras etnias. E sei que a maioria
dos brasileiros é uma mistura e que muitos dos que levantam a bandeira
dos movimentos branco e negro são multiétnicos, assim como eu.
Reconheço que a maior parte dos pobres, dos marginalizados, dos
sofredores é negra por que o preconceito está enraizado em nós e nos
outros, desde que um tolo qualquer olhou pra um preto, pra um índio e
disse: ele é diferente, portanto, inferior a mim. Ele não percebeu que
as diferenças ensinam. E vocês também não perceberam isso. Eu sou uma
mulher. E vc, é somente negro?? E se existisse o Encontro de
Estudantes brancos e brancas da UFBa?? Abra seus olhos e enxergue além
da cor da sua pele, da pele dos seus amigos, colegas e vizinhos. Todos
somos alguém, não somos apenas uma cor. Não precisa responder este
email."

Para que serve uma janela.

_Você está aí nessa janela tem mais de meia hora. Eu queria saber o que é que você tanto olha.
_Humpf...
_Você me ouviu??
_O que é, hein??
_O que é que é que você tanto olha nessa janela??
_Sei lá!
_Como assim, "Sei lá?" Você não sabe o que está olhando na janela??
_Ô, menino, você não tem o que fazer não?? Fica enchendo meu saco!
_Que estupidez é essa? Eu só perguntei o que é que você está olhando na janela!!
_Nada!! Que droga! Estou pensando! Não estou fazendo nada, nem olhando nada!
_É impossível alguém pensar em nada. Você está olhando pra uma janela, lá fora tem um monte de coisas que podem te lembrar alguma coisa ou fazer você pensar e você não está pensando em nada??
_Ah... como você é burro...é pra isso que existem as janelas. Pra a gente sentar aqui, olhar através delas e poder não pensar em nada!

Parte 1

Então, ela chegou. Estava molhada de chuva, a pele mestiça aparecendo na transparência do vestido branco fino encharcado. O cabelo estava escorrendo, quase sem cachos. Não conseguira abrir a porta, a chave emperrou. A rua estava escura e agora ainda mais, pois um poste estourara e a luz se foi.
Ficou estressada e agoniada para entrar logo. Forçou a chave, que acabou quebrando. De repente, passos. Alguém se aproximava. Beirou a loucura do medo. A cada passo, o coração doía. Gritou com desespero, perguntando quem estava vindo. Sem respostas e os passos pararam. Começou a chorar, as lágrimas se misturando com a água da chuva, pensou em correr, mas sentiu a respiração forte de quem estava correndo. O homem segurou seu braço com delicadeza e disse: "Não corra, me ajude, me ajude..." O choque não lhe permitiu raciocínio. O homem foi caindo no chão devagar,dizendo: "Não me leva pro hospital, por favor, n...", se segurando no vestido dela. Ela deu um chute na porta, nada. Deu outro, mais forte. A porta abriu.
Ela estava atônita. Quem é esse cara? De que buraco ele saiu? Levantou ele devagar, arrastou até o quarto e tirou a roupa dele. Jogou a calça suja de sangue na lavanderia e a blusa na máquina, junto com os panos de prato. Levou o homem pra suíte, jogou no chão embaixo do chuveiro e abriu. A água, inicialmente fria, o despertou. Quando ouviu um gemido, foi para a cozinha pegar umas velas. Correu pro banheiro com as velas acesas e colocou uma na pia, outra na prateleira de shampoos e condicionadores. Viu o rosto dele.
Era bonito, mas estava pálido. Quando olhou para o chão, viu uma poça de sangue que crescia rápido. Desesperou-se mais uma vez. "E se esse homem morre no meu banheiro? Ai, Meu Deus do céu, o que é que eu faço??." Procurou aproximar a vela do corpo e examinou o desconhecido. Era a perna. Ele parecia ter sido esfaqueado na perna, o que poderia ter atingido a femural. Se tivesse atingido a femural, ele morreria logo. Não era musculoso, magro ou gordo. Era normal. terminado o banho, tirou ele do banheiro e levou pra sala. Pegou um cobertor grosso, um fino, um colchonete grande e uma esteira, e armou uma cama para ele no chão da sala.
Foi pegar linha e agulha no quarto, esterelizou a agulha e foi costurar a ferida do homem. Ele nem se manifestou. Devia ter desmaiado.
Voltou ao quarto, consegui no guarda-roupas uma cueca samba canção e uma blusa do irmão e foi pra sala, vestir o homem. Depois, cobriu ele e ligou o ventilador de teto.
Quando acabou de ajudá-lo, foi tomar banho. No chuveiro, ficou pensando que aquele cara podia ser qualquer coisa, ladrão, médico, feirante, empresário... Respirou fundo, desligou o chuveiro e foi se deitar. No outro dia, pela manhã, o homem estava sentado no sofá, já com uma aparência mais corada. Ficou aliviada e perguntou logo "Quem é você?", ao que ele respondeu "Bom dia, moça."
Enquanto ele se dirigia para a mesa, ela examinou os lençóis e não viu sinal de sangramento, exceto por uns pontinhos. "Quem é você?", insistiu ela. "Pedro. Meu nome é Pedro." Ficaram se entreolhando na mesa do café. Ela foi a primeira a se manifestar. "O que você fez pra vir parar na minha porta quase morto ?" " Quase nada.", ele respondeu. "Você cresceu aqui? Mora sozinha?" "Cresci. Minha mãe morreu tem três anos e eu não conheço meu pai. Sei que ele era policial e não me quis" Parou. "Eu quero saber como você veio parar aqui." "Eu tenho uma padaria. Um dia desses, um cara foi lá, assaltou a padaria, levou o dinheiro, as mercadorias e assaltou mais três comércios próximos. Eu descobri quem é o cara, pra quem ele trabalha e vim cobrar meu dinheiro. Ele me bateu e, quando ia me matar, chegou alguém e ele se mandou correndo. Vi você descer do ônibus, me escondi e esperei você chegar na sua porta. Foi isso. O que você faz?" "Por que você quer saber?" "Sei lá, estou na sua casa, tenho que pelo menos parecer legal."
"Você acha legal aparecer na porta de alguém às 4 da manhã ensanguentado e não querer ir pro hospital? Você acha gentil assustar as pessoas? Eu quero que você vá embora. Quem me garante que você é padeiro?" "Eu não disse que era padeiro, eu sou dono de uma padaria. Tudo bem, você pode não acreditar em mim, mas não precisa fazer escândalo". Levantou, como quem vai embora, mas se desequilibrou e caiu. Ela levantou, colocou ele deitado no sofá e disse: "Assim que você ficar melhor, volte pra sua padaria. Por enquanto, pode ficar aqui." "Você não me disse o que faz." Disse ele. " Meu nome é Anita. Eu faço medicina na Baiana e sou supervisora na Vivo. Vou dormir, se precisar de alguma coisa, pode se servir." "Peraí", ele novamente, "Você conhece um tal de Barriga??" "Não, mas já ouvi falar. Ele é traficante, né?" "Se ele é traficante eu não sei, eu sei que um vagabundo que trabalha pra ele assaltou minha padaria." "Você devia ter chamado a polícia e não ficar correndo atrás de marginal sozinho. Eu tenho que dormir. Tchau" "Tá." Deitou no sofá e dormiu. Perdeu muito sangue e estava fraco.Quando acordou, eram 5 da tarde ela se arrumava para ir trabalhar. "Eu volto logo. Tchau." "Tchau. Ééé... Bom trabalho." Ela não respondeu. Saiu e trancou a porta por fora. Ele manteve as luzes da casa desligadas e permaneceu deitado. Bem mais tarde levantou-se, foi até a cozinha, acendeu a luz e viu um prato de comida embalado no papel alumínio. Tinha um papel colado escrito: "Seu almoço". Comeu, estava com muita fome. Eram 2 da manhã, logo ela voltaria. Uma mulher bonita, com o corpo tão bem feito por debaixo daquele pijama de manhã cedo...sozinha. Podia ser até coligada de Barriga. Quanto será que ela ganhava na Vivo pra ter uma casa bonita como aquela?? Tinha alguma coisa errada nessa história? Ficou pensando essas coisas.
Sentou no sofá. Ligou a televisão. Um filme velho qualquer falando sobre monstros e fantasmas. Que tédio. Daí a quinze minutos,ela chegou. Voltou toda suja, com um vestido curto, rasgado e parecia ter sido espancada ou atropelada por um caminhão. Ele ficou olhando e depois foi correndo socorrê-la. Ela falou primeiro: "Quem é você?? POr que Barriga quer te matar?? Sai da minha casa, eu não quero você aqui!" Ela desmaiou. Ele carregou ela pro quarto, encheu a banheira, colocou ela lá dentro e ficou olhando aquele corpo: parecia uma escultura. Seios médios, firmes, um quadril farto sustentando uma cintura perfeita. Nem chegou a passar sabonete na mulher, nem conhecia ela. Tirou ela da banheira, enrolou e colocou na cama. Ela acordou. Ele estava sentado diante dela. " Quem é você?" Ele perguntou. "Você por acaso é idiota?? O estranho aqui é você, você está na minha casa!" Ele sacou uma arma e perguntou novamente: "Quem é você?" Ela estremeceu. "Eu já disse quem sou eu." " Não. Você não trabalha na Vivo. Ou você diz ou eu vou atirar em você." Ele destravou a arma e continuou apontando pra ela. Ela disse baixo: " Eu faço programa. Eu não trabalho pra Barriga, mas ele sabe... o que eu faço. Ele foi pro flat onde eu estava com um cliente, me esperou descer, me pegou e me ameaçou. Perguntou se eu sabia onde você estava, eu disse que você já tinha ido embora e ele me bateu. Agora fale quem é você e abaixe essa porcaria!"

....

Seus passos ficaram pelo chão

Na sala, no quarto, no quintal

Sua vida ficou metade aqui

No seu mundo passou meu vendaval

Já não estou aí

O meu olhar já não te faz mal

Na janela eu já não vejo o céu

Não compro mais flores de manhã

Na sua casa não tem mais pão de mel

Nem alfazema, nem maçã

Nossas vidas já não têm lápis de cor

Já não se cruzam pelo ar

Já não têm amor

Nem tem brilho no olhar

Vou esperar na porta sentada

Pra ver se você esquece o orgulho

E sobe a escada...

Caminhada.

Nada dura para sempre e tudo vai mudar...Então, mude também. A tinta não acaba, ela muda de tonalidade. A tela não envelhece, ela só muda o jeito de ser bonita. O tempo não destrói a magia...ele esconde ela pra você ter novamente o trabalho interessante de achar. Os filhos não ocupam a primeira posição, eles dividem com você. As rugas não deixam tudo feio, elas são a sua história escrita no lugar mais interessante para ser lida: seu corpo. Os amigos não ficam submissos aos conjuges, eles só se dividiram com alguém além de você. As crianças não estão te desrespeitando, elas só estão te mostrando o jeito certo de não criar os seus filhos. O mundo não está tão mal assim, ele só está pedindo que você ensine a quem vem o que fazer pra mudar as coisas. Os mais jovens não são irresponsáveis, eles são apenas mais jovens.

Relationship.

"O amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim em olhar juntos para a mesma direção". (Antoine de Saint-Exupéry)

Ficar apaixonado por alguém todos os dias não dá a segurança de que isso não vai acabar. Mas dá a segurança de que é uma sensação maravilhosa de insegurança. Não precisa medir o tempo pra saber a quantidade de amor... Às vezes o tempo não fala. Aliás, é raro ele dizer alguma coisa.
O amor se mede pelo brilho nos olhos, pela maciez da pele, pelo disparar do coração... Ninguém pode saber qual é a fórmula do amor perfeito e eterno. Ninguém foi feito com fórmulas. O mistério é que quando você tem muitas certezas de tudo, a vida trata de mudar todas elas em incertezas.
Não se começa sendo Dom Juan ou alguma Princesa Encantada se a intenção de melhorar não está incluída no pacote. É contra as regras do amor que o príncipe vire sapo e que a princesa vire bruxa, pois, se isso acontece, é por que eles tinham nas mãos um feitiço forte pra conquistar, mas o feitiço pra manter uma conquista ninguém é capaz de fazer.
Ah, sim, as pessoas mudam. Todos os dias. Elas conhecem novos sóis e luas, novas nuvens, ruas, colegas, opiniões.... E vão mudando. Mas as mudanças têm que acrescentar e não tirar. não se muda uma coisa boa pra uma pior. É de bom pra melhor.
É assustador se lançar de cabeça nesse doce abismo que é o amor, mas o que é a vida senão se lançar todos os dias em novos abismos?
Se sentir protegido dentro dos braços de alguém, ter alguém do lado que caminhe junto, estar dentro de um coração que ama é o que dá sentido à vida, é o que se chama plenitude.

Alguém

Estava assim tão só
E fiquei cego...
De repente, assim,
Simplesmente a luz chegou...
Deixou a roupa lá fora
E entrou
Deitou em mim sem demora
E ficou até o sol...
Levantar? Não sei se quero agora.
Só sei que perdi a hora
Quando a janela se fechou
E tudo é um só agora
E a luz em mim se derramou...
E entre todos os sons das cordas
O silêncio vem e traz
Um gosto bom de paz...
E a luz adormece
E me dá um alento.
Já não sou mais só.

Minha filha,

As Igrejas estão cheias de velhos, sim, mas não é por que eles não têm o que fazer. Você é que não está lá por que não entendeu que isso é o que você também deveria estar fazendo.
Doces, gorduras, comidas enlatadas e congeladas são gostosos. Mas, depois de algum tempo, o estômago, o rim e o intestino cobram as visitas das frutas e verduras e o tempo que levaram pra expulsar a "junk-food" de dentro de você.
Você é alguém. E é importante. Ninguém faz faculdade pra ser alguém, fazemos faculdade pra alcançar alguma coisa, pra conhecer alguma coisa.
As revistas não vão te dizer sobre moda. A moda é você quem faz. Não adianta vestir uma calça de cintura baixa, um top bem apertado e não poder respirar ou então vestir aqueeele vestido e, quando tirar a roupa diante do espelho, ver as marcas que a roupa deixou e se desesperar por que pode virar uma estria. Vista a roupa que te faz sentir você.
Você não precisa casar virgem. Só saiba que o corpo é seu e que é importante não guardar arrependimentos atrás das rugas. Guarde somente os sorrisos e lágrimas de uma boa vida.
Casamentos não duram para sempre. Eles duram o mesmo tempo que dura um beijo doce, um abraço, uma paixão, um olhar sincero ou mesmo uma amizade.
Os homens prestam, sim. São crianças presas ali dentro, que choram por que a bolinha caiu no bueiro. Então, quando eles jogarem a bolinha pra você, não deixe que ela caia.
O ruim de envelhecer não são as rugas ou os cabelos brancos ou mesmo a visão que piora... É não ter com quem compartilhar o restante dos nossos dias.

Viva.



Dona Creuza.

Seu Teotônio chega em casa, morrendo de vontade de ir ao banheiro. Comera uma maniçoba que não lhe fizera bem. Dona Creuza, de camisão de dormir, aguardava no sofá de luz acesa. Quando ele abriu a porta, foi bombardeado por uma mulher, do alto de seus quarenta e sete anos, brevelínea e bem feita, com uma cara bem enfezada.
_Seu filho de uma égua. De quem é essa calcinha, Teotônio?
_Oi, meu bem! Disse ele, confuso por causa da calcinha e da dor de barriga. _Olha, eu vou rápido no banheiro e a gente conversa, estou com dor de barriga, viu?
_Você não vai pra lugar nenhum dentro de minha casa se não me disser de quem é esse diabo dessa calcinha. Diga logo aí!
_Ô, Mulher, pelo amo de Deus, eu estou me borrando todo aqui!! Deixa eu ir no banheiro!!
_Vai! Vai logo que eu não estou com a menor vontade de limpar cocô de ninguém!! E pense numa resposta bem convincente pra me dar!
Lá vai ele, todo apertado dentro da calça social, cheio de gravata e paletó, correndo pro banheiro. Mal sentou no sanitário, foi um imenso alívio. Quando terminou, se lembrou da calcinha: De quem seria aquela minúscula calcinha?? Tomou banho, se trocou e foi pra sala. Dona Creuza continuava enfezada.
_A resposta Teotônio. Estou esperando.
_Meu amor, meu amor... Você sabe que eu não te traio. Eu nunca te traí, você sabe disso. Eu não sei de quem é essa calcinha.
_Como assim você não sabe?!?!? A calcinha agora voa, é, meu filho?
_Pense aí, Creuzinha, pense aí. Você acha que eu seria tão ignóbil de te trair, sabendo que você conhece essa cidade toda, ainda por cima na sua cama, minha deusa?
_Olhe só, eu não sou lesada, não, meu filho... Eu uso 40, essa calcinha é trinta e seis no máximo. Se não é minha é de quem?
_Eu não sei, merda!!!! Disse seu Teotônio, começando a ficar irritado._ Sua irmã não passou esse final de semana aqui?? Deve ser dela!
_Eu já perguntei a ela e ela disse que não é dela! Me diga logo Teotônio, de quem é??
Nisso, levanta Clara, a filha do casal. Uma menina bonita, com seus dezesseis anos, toda descabelada e com o rosto marcado de lençol.
_QUe é isso aí, Deus é mais! A pessoa nem pode dormir!
Dona Creuza começa a chorar.
_Minha filha, não se case. Homem é uma desgraça...
_Pàra, Creuza, de falar maluquice pra menina!
_O que foi agora, gente... Disse Clara, já acostumada com as loucuras dos pais.
_Isso, ó. Foi isso. Seu pai trouxe uma vadia pra dentro de casa, a ordinária deixou a calcinha no meu quarto, embaixo da cama!
Clara olhou para a calcinha como quem conhecia.
_O que foi Clarinha?? Perguntou Dona Creuza. _É sua essa coisinha pequenininha?
_Minha filha!!! Agora Seu Teotônio. _ Você é muito pequena pra usar essas coisas!!
_Ai, ai, ai...Disse Clara, passando as mãos na cabeça. _A gente tem que conversar.
_Seu Teotônio emudeceu. Dona Creuza, nem se fala. Pensaram a mesma coisa. Essa menina anda dando pra alguém dentro de casa.
_Eu não quero que vocês falem nada antes de eu terminar de falar. Bom, eu pedi a vocês ano passado um notebook, não foi??
_U-hum! Fizeram os dois sacudindo a cabeça, com os olhos bem abertos e pensamento modificado: "Minha filha é prostituta. Minha Nossa Senhora da Cabeça!"
_Então, eu não ganhei por que perdi em física na escola, né?
_Ééé... Disseram em coro uníssono.
_POis é. Tentei várias coisas pra ganhar dinheiro; Essa calcinha, por exemplo, estava num conjunto de lingeries que eu vendi por umas semanas. Tentei vender trabalhos e provas na escola...Nada dava certo. Aí, pensei: Poxa, o quarto de minha mãe é lindo, todo decorado, cheio de espelhos...eu podia alugar ele de vez em quando. Aluguei uma vez pra uma colega, já que menor não entra em motel. Ela adorou, me pagou 30 reais e ainda trouxe três casais amigos dela. A partir daí, foi só propaganda boca a boca.
Enqanto a menina falava do seu novo negócio com empolgação e muita noção de custo benefício, Seu Teotônio e Dona Creuza estavam se sentindo num pesadelo psicodélico ou alguma coisa parecida. Essa menina estava com problema na cabeça, só podia. Usando o quarto dos pais como motel para menores?? Foram, aos poucos, voltando a si. Dona Creuza desatou a chorar e seu Teotônio estava zonzo, não sabia se era a maniçoba ou a maluquice da filha. Esta, continuava sua descrição do negócio, que havia se estendido ao quarto do irmão que casara e se mudou. Ela dobrara o lucro e equipara os dois quartos com iluminação especial e caixas de som que tocavam de música francesa, para os mais ousados até Evanescence ou Bon Jovi, para os mais descolados.
_Enfim, _continuou a menina com distinção na pronúncia_ já lucrei quatro vezes o que preciso pra comprar meu notebook. Agora, com calma, vocês vão reclamar comigo civilizadamente, pensando no barraco que vai ser se o prédio todo ouvir que eu alugo nossa casa pra a galera "de menor"...vocês sabem.
_Menina, pelo amor de Nossa Senhora Aparecida... Seu Teotônio, ainda zonzo. _Não era mais fácil tirar nota boa na escola e pedir novamente??
_Ah, pai, fala sério! Eu sei que é ilegal, mas pelo menos eu não tô me prostituindo nem traficando, essas coisas brabas. E ainda por cima, aprendi a fazer negócio!
_Ai, Meu Pai!! Choramingou Dona Creuza. _Minha filha, que loucura! Você tá com algum problema na sua cabeça, menina?Isso é ilegal e é falta de respeito!! Acorda menina, olha a maluquice que você está fazendo!!
_Mãe, seja racional. Tem um tempão que eu não peço dinheiro pra nada a vocês. Consegui dinheiro pro notebook, melhorei o quarto de vocês, comprei um ventilador novinho pra mim, até o módulo desse semestre na escola eu que paguei, estão lembrados?? Se continuar no ritmo que anda, daqui um tempo eu troco seu colchão, troco o colchão do antigo quarto de Cássio e compro uma cama de casal pra mim pra poder alugar meu quarto também!! Imagina só, eu pagando minha escola, me custeando...Isso é o que importa, mãe! Dinheiro!
_Fez-se o silêncio. De repente, Seu Teotônio explodiu. Disse que ia internar a menina, que ela estava zoró,que nunca viu isso, que não sei o que, não sei o que lá e caixinha de fósforo. Clara foi ficando estressada com a falta de visão de negócio do pai e foi assertiva:
_Chega, Meu Pai, chega! Que agonia, oxe!!! Olhe, se o senhor me mandar pra uma clínica eu fujo. O senhor sabe que eu fujo. Além do mais, vocês são mão de vaca, não gostam de dar nada pra mim. Vai ver que foi até por isso que Cássio se casou e foi embora. Tá bem, eu não alugo mais seu quarto, já que te incomoda...Mas o meu e o de Cássio eu vou alugar. E tem mais, hein!! Eu tenho um sócio. Ele agora vai se encarregar de fazer a propaganda pra a galera dos outros colégios, mais caros, o povo que tem grana. Como Minha Mãe disse que vocês sairiam hoje, eu achei que o quarto estaria desocupado e acertei com ele que seria o quarto de casal. Então, sejam legais e deixem eu usar esse quarto pela última vez, certo? Muito bem, vão logo se arrumar pra sair que eu não quero pagar esse mico de eles encontrarem vocês aqui...Vai logo, gente!
Lá foram eles, sem conseguir raciocinar. Parecia que tinham bebido cachaça e fumado maconha. Zonzos, tomaram banho, se arrumaram e saíram. No térreo, encontraram os adolescentes; tão jovens, tão jovens. Meu Deus. Onde é que esse mundo vai parar! Um deles, parecia ser o sócio, falou com o porteiro:
_Boa noite, moço. A gente tá procurando a Clara do 802, ela tá aí?
_Tá sim, ó os pais dela saindo ali!
Se olharam os cinco. Os meninos sem graça, mas sem entender, os adultos sem graça e entendendo tudo.
_Você interfona pra ela aí?
_Tá bom.
Eles pegam o elevador. Os pais de Clara dão uma última olhada e seguem porta afora. Fazer o que. Esses meninos estão cada dia mais precoces.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Não volto.

Minha mãe me disse pra eu tomar cuidado, o mundo é perigoso lá fora...

E meu pai me deu um escudo grande antes de eu ir embora.

Mas, sabe, o mundo me sorriu quando eu abri a porta,

E eu posso ver todas as cores do céu agora...

E vendo abertas as minhas antigas janelas,

Não sinto falta de olhar o mundo através delas...

O mundo agora é todo meu e é indominável

E eu sei que o horizonte é infindável

E cada passo que dou, irrevogável...

Não sei...

Você,
Ultimamente as coisas não estavam muito bem. Acho que quase fiquei louco. Não sei, não me pergunte por que é que estou escrevendo sobre isto, mas tenho que contar minha história.
Foi assim que aconteceu: De repente, não mais que de repente, surgi bem aqui onde estou agora e já surgi com problemas. Primeiro, eram pancadas, pancadas e mais pancadas. Acho que doíam tanto que eu não sentia dor, muito mais me incomodava o barulho. Eu nasci muito estressado, não conseguia me mover e o barulho me incomodava muito. Parecia até que existiam pessoas gritando dentro de mim, me arranhando, me furando, me batendo. Mas aí, sem mais nem menos, as pancadas cessaram.
Então, colocaram dentro de mim_ pelo menos eu acho que colocaram_ uma coisa que subia e descia o tempo inteiro e muitas vezes me dava vontade de vomitar. Acho que era um tipo de aparelho para que eu pudesse me movimentar um pouco, mas isso me deixava desesperado, pois aquela coisa não me fez sentir útil, somente enjoado. Logo quando colocaram, eu engulhava, fazia uns sons estranhos e, às vezes, era como se eu parasse completamente. Quando isto acontecia, as pessoas que gostavam de mim ou precisavam de mim por algum motivo ficavam chateadas, reclamavam com quem cuidava do bom funcionamento do meu organismo e eu sempre voltava, cheio de esperanças de conseguir viver.
Ainda por causa desse aparelho, quase fiquei esquizofrênico. Eu ouvia vozes dentro de mim o tempo todo e não conseguia entender o que elas diziam e comecei a achar que eram fantasmas ou demônios. Entrei em crise de pânico, tentava gritar, mas não conseguia, já que nasci sem voz. Quando percebi que não conseguiria fazer com que as pessoas me entendessem, parei de tentar gritar. Comecei a fazer uma coisa que ouvi uma voz dizendo várias vezes dentro de mim: "Tente ouvir seus gritos internos". Pois bem, tentei. Comecei a ouvir pessoas que falavam sobre mim, dentro de mim, era como se eu tivesse múltiplas personalidades, todas presas, diferentes e curiosas. Comecei a ouvir muito frequentemente as palavras "andar", "desce" e "sobe". Era uma doce voz de mulher que dizia isto.
Comecei a pensar que eu devia ter algum problema no sistema nervoso e motor, por isso não conseguia ouvir direito, me mecher muito e falar. Fui, a cada dia, prestando mais atenção nas vozes. Algumas diziam: " anda, fecha, fecha!", outras falavam " maravilhoso, né? Já estava na hora de nos darem um...". Comecei a pensar se essas vozes falavam comigo ou entre elas.
Foi tentando ouvir meus gritos internos que, um dia, consegui ouvir as vozes que me disseram quem eu era: " Gente, esse elevador é muito bom!! Nunca tinha visto um desses! Ó, tem até perfuminho!". Aí sim, comecei a entender. Eu não precisava me desesperar, não precisava tentar gritar e aquele aparelho dentro de mim era somente a caixa do aparelho principal. Eu sou útil, sou necessário, sou até querido. Eu sou um elevador.
Eu quero agradecer muito ao yogi e psicólogo que mora no décimo nono andar deste edifício onde fui construído, pois, dando conselhos aos pacientes dele, acabou me ajudando a me encontrar e me entender. Foi por causa dele que ouvi quem eu era.