quinta-feira, 29 de maio de 2008

Meu almoço

Minha mãe prometeu doce
Pra eu comer depois do almoço...
Queria que o almoço fosse
Um escondidinho bem gostoso

Mas ela veio com essa história
De alimentação saudável
Se não me falha a memória
Era assim a mesa impecável:

Arroz integral cozidinho
Salada de legumes picotados
Couve cortado bem fininho
Por cima do frango grelhado

"Não pode beber nada!
Só depois de duas horas!"
Minha vó, pobre coitada
Disse logo, "Nossa Senhora..."

Perguntei da sobremesa
Ela disse que eu ia adorar..
Imaginei iogurte de framboesa,
Chocolate, pudim ou manjar.

Passei pelo sacrifício
De raspar meu prato todo
Sem saber que o mais difícil
Viria depois do almoço

Barrinhas de cereal....
"Diet, pra não engordar!
Não comprei nenhuma igual
Pra você experimentar."

Quase que eu chorava
Mas o que podia fazer
Ela disse que me amava
E que eu precisava aprender a comer!








Lembranças

Quando eu estudei no CSJ, as panelinhas eram muito fechadas_hermeticamente fechadas. Sempre me senti muito só lá dentro e só conseguia me enturmar com pouquíssimas pessoas. Enfim, não passei ilesa pelo colégio. Sofri com as sacanagens e perseguições, sofri com as pirraças, apelidos idiotas e outras coisas mais... Mas sobrevivi. Não tenho muitos colegas aos quais devo gratidão; da maioria deles eu queria mesmo era distância. Talvez por isso fiquei meio indecisa, envergonhada e receosa de participar da tal comunidade da panelinha do colégio: "Resenhator".
No dia em que cliquei sobre o botão "deseja participar desta comunidade?", mil coisas vieram à minha mente. Reviver algumas situações desagradáveis pelas quais passei quando no colégio não estava nos meus planos, por isso, depois que saí de lá, me afastei completamente de todos. Quando ia visitar a escola, era mesmo saudade o que eu sentia, mas não dos colegas, a não ser, como já disse, de alguns poucos. A saudade era da irmã da enfermaria, com quem muitas vezes perdi o recreio conversando, de tia Nildinha, que colocava gelo nos ferimentos, de Fátima e Lúcia da portaria, de Pascoal, de Lucinha, de Darli, que tantas vezes me consolou quando eu ficava sozinha, dos meus queridos professores (nem todos), de Regina, a melhor coordenadora que eu conheci...enfim. Eu tinha saudade do espaço físico da escola e dos funcionários.
É maravilhoso quando encontro algumas pessoas com quem estudei e fico sabendo como vão, o que andam fazendo... mas existem outras com as quais, se eu tivesse escolha, nunca encontraria novamente. Uma menina que tinha uma inimizade gratuita por mim, uns meninos que transformaram minha 8ª série num grande pesadelo, alguns outros que me faziam de brinquedo durante o primário, me empurrando, me prendendo na sala, me colocando apelidos esquisitos, outros que sempre fizeram questão absoluta de ser indelicados e inconvenientes sem motivo aparente...
Até onde sei, que é o que minha mãe, minha família e meus amigos me dizem, não sou feia. Sempre fui baixinha, já fui magrela e parecia mesmo um microfone, como um menino de quem eu incrivelmente gostava e achava engraçado me apelidou. Nunca fui desconcentrada, ignorante ou seja lá qual for o termo para o que eu sempre ouvi falarem "burra". Muitas vezes eu chorei e não quis ir pra escola, pois não entendia a razão pra pegarem tanto no meu pé. Como se não bastassem meus colegas, as professoras às vezes não iam com minha cara de jeito nenhum, só Deus sabe o porquê.
Tive uma chamada Conceição, no primário, que dizia que minha letra era um garrancho só por que era grande. Teve Jane, a bruxa substituta de Conceição, maluca, queria que eu deixasse de escrever com a mão esquerda e passasse a escrever com a mão direita.Teve outra que defendia uma menina na sala e achava que todos os outros eram burros. E por fim, uma criatura que odiava o mundo todo, inclusive eu.
Gostava de alguns colegas. Talita, Vanessa e Inaira na 1ª série, na 3ª série gostava de Maria Vitória (muito engraçada), Valter J. de Sá Neto, Tatiane Leite, na 4ª Danuza e Geruza, na 5ª Larissa, Bárbara, FAbrício, Fernanda, Lorena, Natália e Mateus, na 6ª era fã de Marcela e Carol, na 7ª achava Clarinha, Vanessa e Rafael legais, mas minha turma ainda era Fabrício e cia e na 8ª continuei com a mesma turma, que aos poucos foi se desfazendo pois se apaixonaram, não deram certo, trocaram de namorados e eu, mais uma vez, fiquei só. Não me importei muito, pois já estava acostumada a ficar sozinha. Se não fossem Alexandre e Lucas, me sairia muito bem na 8ª. Mas eles não estavam com muita vontade de facilitar minha vida. Então, de safanões em safanões, de pirraças em pirraças, acabei a 8ª e mudei de escola.
Ficava sempre olhando as panelinhas, achando legal como eles se divertiam e se davam bem, mas nunca tive coragem pra me aproximar. Admirei algumas pessoas, mas não passou disso. Minha saída da escola, ainda bem_ou não?_ não foi percebida. Fui feliz na escola nova, pois ninguém na minha turma gostava de estudar e pescavam de mim até não poder mais. Era bem tratada.
2º ano, escola pública. Além de não gostar de estudar, não gostavam de quem queria estudar. O pior é que eles acreditavam que eram geniais. Sempre fui tímida, fiquei mais ainda, mas encontrei pessoas que me fizeram muito bem. Juli, Elzilane, Elaine, Landico e Andréia. Foi bom, mas tive meus péssimos e memoráveis momentos. Como, por exemplo, quando um menino de quem eu gostava ficou com uma menina horrível só pra eu parar de paquerar ele. Ou quando todos fizeram questão de faltar ao meu aniversário.
Mas tive alguma sorte. Quando entrei no cursinho, encontrei dois amigos pra vida inteira: Paulo Vinícius e Adson Piño. Adoro eles até hoje e até hoje nos falamos quando temos tempo. Conheci ainda Gil, Carla, Maicon e Rose, que não têm defeitos e a quem serei sempre devota e grata. Sempre falo com eles, pois bons amigos são como bilhetes de loteria premiados. Graças a Deus, tenho momentos maravilhosos dos quais eles fizeram parte e os quais guardarei e contarei por toda a vida.
Mas, o assunto é o tal do "Resenhator". depois de enumerar lembranças várias, cliquei no tal botão. Ainda tinha que passar pelo processo de aceitação do dono da comunidade. No colégio, ele era super legal. Pelo que vi, ainda é. Pois bem, ele me permitiu entrar, me colocou como moderadora, só Deus sabe o porquê_ mas pouco tempo depois fui destituída da função, só Deus sabe também o porquê_ e o pessoal logo me fez sabatina. Respondida a sabatina, li alguns tópicos e percebi que se demorasse demais sem comentar, seria expulsa.
Surgiu, então, um evento para o qual todos estávamos convidados. Seria a despedida de uma menina com a qual estudei e que, junto com uma amiga durante o tempo de escola, me prendia na gruta sob a ameaça de que, se eu saísse de lá, teria de beijar um tal de Victor Pia. Bom, não me lembro se ele era bonitinho, mas lembro que não queria beijar ninguém e ficava triste presa na gruta...Mas acho que isso não me traumatizou. Mas se daqui a algum tempo você ouvir dizer que eu matei alguém e escondi o corpo numa gruta, já sabe o porquê. Fui à festa com um menino que estudou comigo que eu sempre achei que seria padre. Mas de padre ele já não tem nada.
Fui bem recebida, sabe? Graças a Deus, lá não tinha gruta, ninguém escondeu minha bolsa, não me colocaram apelidos esquisitos, não me bateram...é, foi legal. A verdade mesmo é que cheguei meio tensa, não sabia como me enturmar pois eles são muito unidos até hoje. Mas percebi uma coisa muito boa: todos nós crescemos, amadurecemos e mudamos. As pessoas não muito agradáveis já não estavam entre eles, todos ainda se tratam com a mesma cumplicidade dos tempos de CSJ e aquilo já não é uma panelinha: é uma família.
Adorei ter reencontrado meus antigos colegas, ver como eles mudaram, que eles se tornaram pessoas ótimas... enfim, tudo isso.

domingo, 11 de maio de 2008

Como domesticar sua mãe.

Eu tenho 11 anos. Minha mãe tem 37. Mas, como todos nós já sabemos, a vida é assim, quem assume bons cargos, quem sobe na vida, quem manda mais é quem tem competência para isso e não quem tem idade ou experiência.
Às vezes fico muito revoltado pois eu vejo meus colegas e meus primos sendo controlados pelas mães, que muitas vezes nem sabem o que estão fazendo, acham que agir assim é melhor para o filho, para que ele estude, se dedique, seja uma pessoa íntegra, boa e assim por diante. Isso não é verdade. Eu, por exemplo, não sou o "controladinho da mamãe", mas me saio muito bem na escola. Eu não tiro 8, 9, 10, essas coisas, até por que, para que isso acontecesse, eu teria que perder duas preciosas horas do meu dia estudando e não teria tempo pra gravar novas músicas no meu MP3. Então, não tiro estas notas, mas eu tiro 7, tiro 6 e, às vezes, quando eu tenho muitas coisas pra fazer, como jogar em rede, andar de bicicleta, baixar músicas na internet, merendar, enfim coisas muito mais importantes do que estudar, minha nota vem 5,5, 4 e por aí vai.
Você deve estar se perguntando: Noooossa! Como você faz pra dar certo?? É fácil, muito fácil. Primeiro, você deve conhecê-las e saber lidar com elas. Basicamente, existem três tipos de mães: As sentimentais, que são doces e fáceis de domesticar, as duronas, que só se pode domesticar quando se é mais firme do que elas, e as inconstantes, que alternam entre doçura e dureza. As demais são derivadas desses tipos básicos, então, sua postura deve derivar das posturas abaixo conforme o comportamento da sua mãezinha.
Segundo, você deve sempre desenvolver o dom de chorar e mentir descaradamente, de preferência simultaneamente, mas, se não conseguir, faça um de cada vez. Quando sua mãe disser pra você estudar, pra você ser mais aplicado, pra respeitar as pessoas, enfim, aquelas idiotices que elas sempre repetem, você chora, diz que não consegue, que é burro, que não presta, faz aquela cara de sofrimento e dor que ela cai direitinho. Bom, pelo menos a maioria cai. Se a sua mãe é do tipo durona, você abraça ela sem choro, se compromete a mudar e, durante os três primeiros dias você age como se realmente tivesse mudado. Ela vai notar sua mudança e vai comentar com todos que você mudou. Embora quase ninguém vá acreditar nela, o que importa é que você fez seu trabalho e a convenceu de que você obedeceu. Se sua mãe muda muito de comportamento, você pode juntar as duas táticas.
Ainda tem aquelas mães mais submissas, essas são muito boas para domesticar. Basta gritar com elas. O máximo que elas vão dizer é "É assim que você fala com a sua mãe, menino?", aí, você dá um palavrão leve ou moderado, diz que ela não te ouve, não te entende, algo assim, depois argumenta que todo mundo faz o que você quer fazer ou tem o que você quer ter, menos você. Ela, automaticamente, obedece.
A terceira dica é ser firme. Se você se definir por não estudar, não ser obediente, não tomar banho na hora em que ela manda, enfim, não fazer seja lá o que for, não faça de jeito nenhum. É isso que garante que ela vai perceber que quem manda é você. Mantenha sua postura, seja decidido. Enrole, bata boca com ela, discuta, chore mas não faça o que tem que fazer. Depois, quando ela já tiver desistido, quando você estiver com vontade de fazer, vá e faça bem rápido, mal feito, mas não deixe ela ver. Se ela for do tipo que te cobra as coisas depois que já até perdeu a graça, você diz com aquela cara bem tranqüila: "Já fiz." Ela vai pensar que você fez por que ela mandou, mas isso não tira sua autoridade, pois é comprovado que quando seus subordinados se sentem valorizados, eles produzem mais e com mais qualidade, ou seja ela vai ganhar confiança, vai achar que você obedece e as discussões e ordens diminuirão em número e em duração. As mais dóceis ficam felizes em ter um filho que as ouve e é amoroso, as mais duronas se contentam em saber que seus filhos são obedientes e as que mudam muito de comportamento se sentem realizadas com um filho amoroso, bom ouvinte e obediente. A firmeza tem de ser adotada, não importando o comportamento da sua mãe. Você tem apenas que ter cuidado na forma de mostrá-la.
A quarta dica é ser cínico. Isso é um segredo de mestre. É como atuar. Se sua mãe se comove quando você se faz de vítima, seja sempre a vítima. Sofra, se mostre fraco e impotente, isso sempre dá certo. Se sua mãe só se abala quando você se compromete, comprometa-se, seja sério, firme e olhe nos olhos. Se ela só entende com gritos e palavrões, grite e xingue, mas lembre-se que palavrões dirigidos diretamente a ela têm de ser leves a moderados, como "porcaria", "banana", "merda", até um "porra" de leve é bom, mas não vá além. Quando você não estiver falando diretamente com ela, mas o que você estiver dizendo for para ela ouvir, aí você pode dar uns palavrões mais pesados. A depender da evolução delas, em breve você poderá falar os palavrões pesados diretamente a elas e também poderá colocá-las de castigo. O segredo é equilibrar e se manter no seu papel até a situação se definir.
Bom, basicamente é isso. Siga essa cartilha conforme lhe convier e sua mãe apresentará ótimos resultados. Até a próxima.