sábado, 27 de setembro de 2008

""Paquera""

Eu vi
Pelo buraco em minha parede
Você em casa, deitado na rede
Lá do outro lado da rua
Senti
De repente um calor, uma sede
E vi um passarinho verde
E de repente ficou cheia a lua...
Vesti
Um vestidinho de flanela
E fiz aquela pose na janela
Pra você olhar pra mim
Sorri
Você se levantou e me viu
Fiquei feliz quando sorriu
E me deixou derretida assim...

Seu recado

Li seu recado, querida
Estava em cima da mesa
Se isso é uma despedida
Eu fui pego de surpresa
E quando eu percebi
Estava chorando sozinho
Pois, devo admitir,
Você era o meu caminho
Não sei porque
Tu me deixou, não entendi
Fiz teu querer
Te dei amor, te acolhi
Fui tão fiel
Fui tão sincero...
Mulher, como eu te amei!!
Eu fui teu céu
Te fiz castelos
Como uma deusa te tratei.
Você deixou
Meu peito marcado
Nem mesmo quis conversar
E só mandou
Esse recado
"Vou embora, já não dá."

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tu

Ah, como é inconstante...
Mas não é importante
Que escolha uma cor.
Seja louco mesmo
Bem colorido
Seja avoado, descabido
Seja meu divã ou dor...
Só não vá muito longe
Pois na saudade se esconde
A vontade de esquecer...
É como a madrugada
Que se mantém calada
E vem um sol qualquer
Pra fazê-la amanhecer...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Agonia

Ah...! Quando é que tu voltas?
Já não aguento esperar...
Briguei com todas as horas
E agora elas ficam a me pirraçar...

Música Ruim

Pare com esse ciúme...
Nem se acostume
A gostar de mim assim
Pare com esse jeito triste
Amor que só dói não existe
É plantar pitomba e colher alecrim
Veja, só penso em você
Querendo ou sem querer
É que nem música ruim
Veja, você não sai de minha mente
É que nem elo em corrente:
Não se sabe onde começa,
Não se sabe onde tem fim.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De nôte

Vem, noite, vem
E me traga alguém
Que me queira assim
E que sob a lua
Me diga sim
Vem, brilha e pincela
De prata a cama, o espelho, a janela
Seremos, então gatos pardos,
Miando loucuras no quarto....

Ela espera.

No que será que ela pensou
De manhã quando acordou
E não te viu na cama
Achou que você foi embora
Achou que você jogou fora
Alguém que só te ama...
Pensou que foi comprar café
Ou então encontrou Zé
E começou a conversar
Ou desceu pra tomar um chá
E emendou pra almoçar
Ou então Deus sabe lá
Sei lá, sei lá, sei lá
Mas disseram que ela espera
Olha o telefone e a janela
Ela só quer saber
Se você vai voltar
Então não se vá assim,
Compre rosas e jasmins
E entre pela porta
Que ela não se importa
E prometa amor eterno
E lhe aqueça no inverno
Mas não diga mentira
Não lhe desperte a ira
Pare de medo, seu moço,
Lhe dê um beijo no pescoço
Que ela fica mansa
E dança sua dança
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Uhum, uhum, uhum...

Tum..tum...

Veja só
Como ela perde a compostura
Quando ele pega em sua cintura,
Fica logo sem juízo
Sinta só
O perfume que vem dela
Ouça os sinos na capela
Quando ela dá um sorriso
Essa mulher
É uma figura
É uma loucura
Ela é uma canção qualquer
É um samba ou um arrasta pé
Ela se dobra
O ano inteiro
E em janeiro
Ela dança na areia da praia
Ela sai, ela cai na gandaia
Mas veja só
É ele chegar devagar
Tirar ela pra dançar
Que ela fica sem chão
Sinta só
Quando ele lhe abraça
Olhe como ela disfarça
Que não palpita o coração...

Nego,nego...

Não é por esse caminho,
Passarinho,
Que você vai achar pouso
No meu colo.
Se toda rosa tem espinho,
Neguinho,
Eu quero dengo de volta
Quando te consolo.
Voar por aí é um dom,
Muito bom,
Mas todo ninho vazio
Muda de dono.
Música não é nada sem som,
Sem tom,
O maior do mundo não é rei
Sem trono.
Então entenda, nego,
Não há segredo,
Foi um qualquer vento
Que te trouxe.
Mas esse doido apego,
Esse apreço,
Não é acaso, nego....
Antes fosse.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aprendi

O samba que você me fez
Eu acabei de ouvir
Menino, acho que dessa vez
Eu te compreendi
Você falou que não me quer de verdade
Que só jogou por jogar
Brincou com a minha felicidade
E agora vai me deixar
Mas eu sei
Que o seu peito aberto eu conquistei
Em sua memória eu me instalei
Estou certa
De que você vai me querer de novo
Aprendi
Que você gosta de liberdade
Vou deixar você sentir saudade
Desse jeito
Você vai vir e jogar o meu jogo...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

...Você...

Mesmo assim, tão desvairada
Sem raciocinar direito
Mesmo desorientada
Mesmo louca, reconheço:
É você quem me tira o sono
É por você que enlouqueço,
Por quem morro, me apaixono
É a doença da qual padeço
É meu vício, benefício
Meu remédio, meu veneno
Meu amor vitalício
Meu maior, meu tão pequeno
É o vento que me leva
É o calor que me incendeia
Me acalma, lua nova,
Me endoidece, lua cheia.

Deus,

Não sei seu endereço
Nem se você tem telefone
Não sei se me tem apreço
Se prefere apelido ou nome

Mas queria te pedir
Uma coisa bem comum:
Meu Deus, eu queria um colo,
Só um, Meu Deus, só um

É só pra de vez em quando
Eu poder chorar baixinho
E alguém enxugar meu pranto
E me fazer um carinho

Pra eu tirar um cochilo
Nesse colo protetor
Que deve ter um olhar tranqüilo
E um abraço acolhedor

Não estou pedindo algo
Que o Senhor não possa fazer
Também não é um descalabro
Querer alguém pra me acolher

Eu só peço que ele seja
O que você achar que mereço
Que me respeite e proteja
Se for assim, eu agradeço.