quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Tu sais...

Tanto que eu te amei, menino
Te fiz minha estrada e meu céu
Mas, então, quando falhei, menino
Num instante enchi sua boca de fel
E não há dor maior do que essa
De querer ser mais e não poder
Não há reza e não há promessa
Que possa fazer você perceber
Que é melhor pra nós dois,
Sempre foi
Deixar tudo pra lá e seguir
Do que continuar se machucando
E chorando
E andando juntos sem sorrir...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Homem cortês

Ele não fala javanês
E nem sequer dança valsa
É só um homem cortês
Que honra as calças
Moreno bem apanhado
Penteado com brilhantina
Ele quer ser namorado
De uma bailarina

Passou a treinar balé
Para tentar ser visto
Mas veja só como é
O achavam esquisito
De tudo ele tentou
Até tocar piano
Mas não aguentou
E abandonou o plano...

Até que então alugou
Um ponto lá no centro
Pra vender laços de fita
E o seu negócio vingou
Só se vê lá dentro
Bailarinas bonitas...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Escolhas

A borboleta me disse
Como borboleta que é
Que da prancha eu caísse
E me deixasse na maré
Ela me disse também
Que eu mergulhasse
Já que não tenho asas
E que aquele que me quer bem
Mesmo que eu procurasse
Não encontraria num conto de fadas
Aí, então, mergulhei,
Já sei até onde posso ir
Sem me afogar
E tantas vezes voltei
E sempre volto aqui
Quando me falta o ar.

domingo, 12 de outubro de 2008

Xote pra Gérsica.

Te telefonei
Você não atendeu
Então perguntei
O que aconteceu
Você sumiu, me jogou no vento
Não me dá bola, não quer nem conversar
Agora ouça esse meu lamento
Pare com essa demora, vem me procurar
Menino deixe logo de tanta bobagem
Não se preocupe, não vou te prender
Se não voltar logo perde a vantagem
Eu não vou esperar muito tempo por você...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O Cravo e a Rosa

Finalmente o cravo e a rosa
Decidiram parar de brigar
A rosa deixou de ser tão orgulhosa
O cravo parou de tanto resmungar

Eles fizeram logo um combinado
Depois de muito tempo conversar
De amantes brigões viraram namorados
E andam pensando em se casar

O casal mudou a cantiga de roda
Que antes falava em sofrer e chorar
E andam dizendo que o que querem agora
É beijar, beijar, beijar, beijar...

Amarelo.

Não entendi direito
O porque do amarelo...
Mas, de qualquer jeito,
Em qualquer cor,
Sua casa é castelo
E no meu filme
Você é sempre herói
Se eu morrer de amor
Ou for pro inferno
Te ligo e você vem
Vestido de cowboy
E se passa o tempo
E se sopra o vento
Não se avexe
Daqui de dentro
Você não some
Pra dor, é ungüento,
Pro choro, alento...
Pro medo... homem.

Sem sono

Ah, Meu Pai,
Ele é um negócio
Ai, ai, ai, ai, ai...
Quando ele passa quase tenho um troço

Já não sei
O que vou fazer
Já me mediquei
Mas não há remédio que faça eu esquecer

Aquele cheiro
O jeito dele andar
A cor do cabelo
Aquele olhar
Aquela fala mansa
Estou sem sono,
Estou sem dono...
Me conceda uma dança.

Reinventei

Quer saber um segredo?
Chegue o ouvido pra cá...
E não me olhe com medo
Quando eu terminar de falar.
Ontem à noite eu descobri
Que ouço seus pensamentos...
E também posso sentir
Todos os seus sentimentos.
Passeei em sua cabeça,
Já sei tudo sobre você.
E antes que me esqueça
Não se irrite, foi sem querer
Eu encontrei um jeito
De te fazer me amar
Fiz você achar meus defeitos
Motivos pra me admirar
Reprogramei suas lembranças
Me fiz o seu maior desejo
Criei nossa primeira dança
Apaguei nosso único beijo...
Agora você não me escapa
Te inventei novamente
Agora sim isso não acaba
E você virou meu eterno presente...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Tardio.

Vou fingir que ainda é doce
E que meu anel não foi de vidro
E que as palavras que a raiva trouxe
Não fizeram nenhum sentido
O vento mudou e soprou outro som
E a música de antes, calou-se
E tudo aquilo que era bom
Como tudo que assim é, acabou-se.