sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quebrar.

Não tem nada aqui
Tudo que era bom
Foi embora no seu perfume

Até o que era meu (O que era meu?)
Era tudo tão você
Que eu não consegui tomar.

Empalideceu o céu
Ficou tudo seco
E nesse embalo,
Valsa triste
Me ponho a chorar.

Tudo em tom pastel
Eu sempre me perco
E logo me calo...
Dedo em riste,
Me acuso de amar.

sábado, 17 de julho de 2010

Flores

Sabe,

Eu não quero flores

Pra furar meus dedos

E murchar na mesa


Sabe,

Cansei dessas dores

De tantos segredos

Não tenho certezas.

Olhe, amor,

Meus dedos furados

Já não têm espaço

Para mais uma dor



E se for

Pra que eu fique triste

Por favor, não capriche

Não aguento, amor.

Somos

Somos aqueles que correm,
Que a luta conduz pela vida.
Aqueles que se perdem,
Que se encontram dentro de outros,
Que se derramam nos seios alheios,
Se desesperam com ilusões bobas,
Que machucam, ferem, matam
E gritam "Ai, meu Deus".
E Deus, sabido que só,
Sempre diz:
"Eu te dei a caneta.
Agora você quer borracha?"

Cerveja

Transborda bela e chamativa
Pela rua,
Pela mesa da cozinha...
Que coisa causa a sua visão
Sob a lua,
Sob o sol, ou num balcão
Qualquer de bar,
De qualquer lugar
Loira linda, comemora,
Chora,
Brinda e entorpece
E me esquece quando a festa acabar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Aquela

Comprei um pé de pimenta
Pra levar pra ela
Ela vai gostar,
Eu sei que vai.



Ensaiei uma música lenta
Pra cantar pra ela
Eu sei que ela
Vai abrir
A janela.



Ela nunca me esnobou
Por que não sabe
E se ela sabe
Nunca se importou

E eu fico sempre aqui,
Todo ansioso
Pra sentir o cheiro gostoso
Do seu perfume,
Meu amor.

Sem hesitar.

Se disser que vai embora
Abra a porta de verdade
Essa coisa de saudade
Não existe por aqui

Depois que bater a porta
Finja que não sente nada
Passe a noite acordada
Mas não venha me pedir

Não há mais
Isso de tremer
Quando você passa
Não há mais isso de tremer.

Não há motivo
Pra querer
Você de volta
Não há motivo pra querer.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Estradas

Engraçado o caminho teu:
Ladeiras, curvas e becos
Sempre cruzam com os meus.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Semínima

Quando um bolero
De repetida melodia
Ritmo único,
Como o meu coração
Que bate devagar
Passa no rádio
No meio duma tarde fria
Lembro de tudo
E o meu coração
Que bate devagar
Então, dispara...

domingo, 4 de julho de 2010

Piri

Eu danço um samba se você quiser
Eu tiro a roupa pra você notar
Se a poesia que eu te digo
É que nem um zumbido
Eu laço as pernas
Num gesto só,
Te dou um nó
E pronto...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Noite Boa

Ébano e prata
Misturados num
--aRrEpIo--
Pele nua,
calafrio
E o desejo
Enche os poros
Devagar.
E a razão acaba
Qualquer um
Esquece o brio...
Lá na rua
O vento frio
Conta segredos
Aos raios do luar.