sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Xícara

Em minha xícara não cabe mais que um número
Um resultado dessa soma, eu e você.
Se em cada gole subtrais o que eu costuro
Já não me sobra muito mais o que querer.

Tudo que visto é pra beber a cor que acende,
Que vira chama ou neon, que faz ferver.
E em cada copo, uma seda que se rende
E em gemidos se desfaz, a se esconder.



Seguro

Minha porta entreaberta
É coisa certa
E a vista antiga é infinita
E verdadeira.
Não vejo tudo que me resta
Como festa
E queimo tudo que me sobra
Na fogueira.


Quando Sou

Tento dizer o que sempre sou
Quando sou porta encostada
Blusa de manga
Ou jambo que caiu do pé agora.
Tento dizer o que sempre sou
Quando sou xícara de café
Praia de dia
Ou muda de orquídea nova.
Tento dizer o que sempre sou
Quando sou sempre arredia
Música antiga
Que toca no rádio de uma velha.