sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Acabou

Aquela infância de fofocas bobas,
Brinquedos simples, cavalinho, peão,
Aqueles lanches com a tubaína,
Bolacha seca, ou suco com pão,

Aquilo tudo que tem cheiro doce,
Que risca paredes e ri muito alto
Que usava roupas coloridas fofas
E que desenhava com giz no asfalto,

Aquilo tudo se acabou depressa,
Foi se desbotando e foi dando lugar
A isso tudo de viver com pressa,
De pintar o rosto como quem cresceu
De vestir as roupas de quem já não sonha
De ficar parado como quem morreu.

Acho que ele é libanês

Um dia desses um homem barbudo e sério
Me disse "isso é muito bom, mas pare de rimar!"

Mas só que quando eu escrevo, é sem remédio
Canetas, lápis, tintas, teclas vão rimar.

Bilhete para Igor

Seremos juntos mais que um par
Muito mais que apenas dois.
Caminharemos por aí sem nem andar.

O resto vai ficando sempre pra depois,
O que nós temos se estende além do mar.

Novo Carnaval

Tantas cancelas se fecharam lentamente
Tantas varandas solitárias de calor
E quase todas permanecem na memória,
Tão frias formas, tão vazias e sem cor.

Os pés que deixam para trás o que se fecha
Procuram tão avidamente caminhar
Alcançam novos carnavais onipresentes,
Cheios de cores, curvas, luzes a piscar.