terça-feira, 1 de março de 2016

Divido com você a alma quente
O corpo abrigo, calor que te anima
Te dou a terra, a água, o sol que brilha
Serei a sombra fresca, a dor ausente.
Eu fico a esperar, chegada viva
O choro, o despertar, sou alimento
Agradeço a um Deus bondoso, único
O amor, a dor, a felicidade. Sofia.

Parada

A mão ficou estendida no caminho
Procurando outra que ali estivesse
Que se pusesse ali, atenta ao passo
Que dividisse a dor, o amor, o frio.

Que só permanecesse sobre ela.

Ali parada, estendida no caminho,
Permaneceu na sombra da procura
E se pôs sozinha a dividir com o frio
A dor, o amor e tudo que não cura.

Fundo

A dor é sempre mais antiga do que o som
Que o breve sussurrar de borboletas lindas
Mais significante que o mais doce,raro dom
É latejante, é funda, é tão comprida.
Mas o que seria do amor sem o frio som
Do breve sussurrar de toda espera linda
De que aquele outro tenha o raro dom
De ler o que não diz a alma ferida?